Português - Instituto Legatus 2025 - Técnico em Enfermagem
TEXTO 1 -
O pavão
Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros;
e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas
bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade. Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico. E assim, considero-me um iluminado por toda essa evasão.
(Rubem Braga)
Tomando como base o texto 1 e o contexto em que ele se situa, responda à questão.
No texto, o narrador estabelece uma analogia entre o esplendor das penas do pavão e o amor. Considerando a construção dessa metáfora, pode-se afirmar que
o pavão, assim como o amor, depende de pigmentos invisíveis que realçam sua essência escondida.
tanto o pavão quanto o amor revelam-se como fenômenos ilusórios, sustentados por aparências frágeis.
a beleza do pavão, como o amor, resulta da combinação entre elementos mínimos que, pela luz, geram grandeza.
assim como o pavão se apoia em bolhas d’água, o amor depende de um processo físico para existir.
o amor é comparado ao pavão por ser uma construção racional que dispensa qualquer efeito sensível.
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