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Português - UPA 2025 - Merendeiro(a)/Cozinheiro(a)

TEXTO 1


A Pequena Luz


Era uma noite de fim de outono. Podia-se perceber uma pequena incipiência de uma madrugada fria e enevoada. Tudo contribuía para que aquele inverno fosse um dos mals rigorosos.

Pessoas apressadas passavam indiferentes ao caos instalado na grande metrópole. Pedaços de fragmentos, do que fora outrora uma cidade provinciana, já era quase Imperceptível. Percebia-se apenas, uma singela turbidez no ar. Não uma turbidez de água impura ou barrenta que colocamos em um copo, mas uma turbidez sensorial, como de quem entra em estado glaucomatoso e mesmo assim produz uma visão clara sobre tudo.

A casa, amarrada ao barraco, equilibrava-se, deixando escapar uma ladainha, que remetia a tempos imemoriais. O cheiro ocre de velas baratas enchia o único cômodo com um negrume metálico.

Uma jovem senhora de vinte e poucos anos, aparentando quase o dobro de idade, soluçava sentada em um caixote no canto da sala.

Por um instante, alguém sussurrou: "Será possível tamanha serenidade diante da dor?

De repente fez-se o silêncio.

No centro da sala, o pequeno corpo, estático, esboçava um sorriso em seu rosto. Notas de uma música celestial ouviam-se ao longe, como uma singular chuva no telhado. Na rua, casais trocavam olhares de conforto e paz. A sala, e o seu cheiro, haviam mudado. Um leve buquê de flores do campo acalmava todos os presentes. E o pequeno corpo ainda esboçava um sorriso.

Ao menor descuido dos presentes, sem menor gesto perceptível, ele já não estava mais ali. Virara luz!


Texto Adaptado


Fonte: GULKE, Ronel Francisco Tadeu. A Pequena Luz. In: RECHIA, Rosângela Beatriz (Org.). Concurso Literário Felippe D'Oliveira: conto, crônica e poesia - Premiados 2017 e 2018. Santa Maria: Imprensa Universitária/UFSM, 2018. Disponível em: https://www.santamaria.rs.gov.br/arquivos/balxar-arquivo/conteudo/D15-1884.pdf. Acesso em: 21 nov. 2025.


No trecho do texto "A Pequena Luz" -- "Será possível tamanha serenidade diante da dor?" --- o uso do ponto de interrogação produz um efeito expressivo que extrapola a simples marcação de uma dúvida gramatical. Com base nos efeitos comunicativos da pontuação no contexto, é correto afirmar que:

A pontuação interrogativa dá voz a um personagem não identificado e cria um efeito de distanciamento emocional, enfraquecendo a empatia que se poderia ter diante da dor expressa no texto.

O sinal de interrogação, ao ser empregado em um contexto de silêncio e dor, funciona como uma pausa reflexiva do narrador, expressando perplexidade diante de uma serenidade inexplicável.

A frase interrogativa reforça o contraste entre o caos da metrópole e o conforto da sala, sugerindo que a serenidade da cena interior é inverossímil frente ao mundo externo.

A interrogação marca uma pergunta retórica que reforça a admiração do narrador pela frieza da personagem, transmitindo surpresa negativa diante da ausência de emoção visível.

A alternativa correta é a letra B. Esta questão avalia o conhecimento sobre Português. O gabarito comentado explica cada alternativa com base na legislação vigente e na jurisprudência dos últimos anos.

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