Conhecimentos Específicos: Pedagogia - IDIB 2026 - Pedagogo
Alfabetização e letramento são palavras bem conhecidas no contexto escolar. Na perspectiva de Soares (2003), dissociar alfabetização e letramento é um equívoco porque:
São processos independentes e dissociáveis: a alfabetização desenvolve-se no contexto e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só se pode desenvolver no contexto e por meio da aprendizagem das relações fonema–grafema, isto é, em independência da alfabetização.
No quadro das atuais concepções psicológicas, linguísticas e psicolinguísticas de leitura e de escrita, a entrada da criança (e também do adulto analfabeto) no mundo da escrita ocorre simultaneamente por esses dois processos: pela aquisição do sistema convencional de escrita – a alfabetização – e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita – o letramento.
A concepção “tradicional” de alfabetização, traduzida nos métodos analíticos ou sintéticos, tornava os dois processos dependentes, o letramento – a aquisição do sistema convencional de escrita, o aprender a ler como decodificação e a escrever como codificação – precedendo a alfabetização – o desenvolvimento de habilidades textuais de leitura e de escrita, o convívio com tipos e gêneros variados de textos e de portadores de textos, e a compreensão das funções da escrita.
A alfabetização precede o letramento, os dois processos não são simultâneos. Isso rejeita a coexistência dos dois termos com o argumento de que em alfabetização estaria compreendido o conceito de letramento, ou vice-versa, em letramento estaria compreendido o conceito de alfabetização.
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