Português - UPA 2025 - Guarda Patrimonial/Vigia/Vigilante
TEXTO 1
Neorrurais: os jovens espanhóis que migram para o campo por causa do alto preço de casas nas cidades
Quando Ainara e Roger deixaram Sevilha para viver em Corterrangel, na província de Huelva, aumentaram em cerca de quinze por cento a população da aldeia, que contava apenas com quinze habitantes. O contraste com a cidade de quase setecentos mil moradores onde viveram por quinze anos é marcante. Localizada no parque natural da Serra de Aracena e Picos de Aroche, a região é cercada por castanheiros, azinheiras e sobreiros, além de abrigar diversas espécies de animais. Para Ainara, o silêncio e o contato com a natureza são aspectos centrais dessa escolha.
No vilarejo, o casal cria a filha, Irati, em uma casa com horta, galinhas e uma cachorra. A ausência de trânsito e ruidos urbanos se soma a outra vantagem decisiva: foi possível comprar o imóvel à vista com as economias acumuladas. Em Sevilha, afirmam, os aluguéis se tornaram inviáveis e a compra de uma casa era impossível sem contratos de trabalho estáveis, condição exigida pelos bancos.
Ambos são cientistas ligados ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas, instituição marcada por vínculos temporários. Ainara pesquisa aves de rapina, enquanto Roger estuda pequenos parasitas das asas das aves. Hà oito anos, percorrem pouco mais de uma hora de carro até Sevilha para trabalhar, trajeto que consideram compensador pela tranquilidade encontrada no campo.
O caso não é isolado. Nos últimos anos, cresce na Espanha o número de jovens que desejam deixar as grandes cidades em busca de melhor qualidade de vida e como resposta aos altos preços da moradia, que atingiram níveis históricos. Estudos apontam que essa tendência, chamada de "neorrural", ganhou força durante a pandemia. Embora parte das pessoas tenha retornado às cidades com o fim do trabalho remoto, muitos permaneceram ou planejam se estabelecer definitivamente em áreas rurais.
O custo dos imóveis é um dos principais motores desse movimento. Os preços na Espanha já superaram os da bolha imobiliária de dois mil e oito, e os aluguéis seguem em alta. Pesquisas indicam que mais de sessenta por cento das pessoas que buscam moradia gostariam de viver no campo, especialmente jovens e grupos de menor renda. Entre aqueles com idades entre dezoito e vinte e quatro anos, o desejo é ainda mais forte, embora muitos reconheçam a dificuldade de concretizá-lo por limitações profissionais.
A experiência de Anai Meléndez revela outro percurso. Após anos trabalhando em Madri com salários baixos e aluguéis elevados, decidiu retornar a sua cidade natal, Nava del Rey. Com o seguro-desemprego, passou dois anos estruturando um projeto até abrir um restaurante especializado em carnes na brasa e produtos locais. Para ela, não é incomum que jovens façam o caminho de ida às grandes cidades e retorno às origens, criando novos negócios em pequenos municípios.
Esse movimento se relaciona ao desafio da chamada Espanha vazia, áreas rurais afetadas pelo despovoamento desde o éxodo das décadas de mil novecentos e cinquenta e sessenta. A perda populacional levou ao fechamento de serviços e comércios, formando um circulo vicioso. Organizações locais tentam reverter esse quadro, atraindo novos moradores e oferecendo informações sobre moradia e serviços.
Apesar das oportunidades, persistem obstáculos. A oferta de habitação é limitada em muitos vilarejos, e estereótipos sobre a vida no campo ainda afastam interessados: A ausência de comodidades urbanas exige adaptações. Ainda assim, para muitos, a busca por tranquilidade, vínculos sociais mais próximos e contato com a natureza compensa os sacrifícios impostos pela mudança.
Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckgy90kje030
adaptado
O texto apresenta relatos individuais e dados gerais para discutir transformações sociais ligadas às escolhas de moradia, destacando motivações, consequências e limites desse processo.
O retorno ás origens descrito no texto ocorre apenas em localidades que mantiveram crescimento populacional constante ao longo das últimas décadas.
A migração de jovens para áreas rurais relaciona-se à busca por qualidade de vida e à dificuldade de acesso à moradia nas cidades.
A decisão de deixar as cidades ocorre apenas entre profissionais acadêmica, sem formação excluindo pesquisadores e trabalhadores qualificados.
A migração para o meio rural resolve de forma definitiva os problemas de moradia e elimina as dificuldades econômicas enfrentadas pelos jovens.
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