Português - CEBRASPE 2026 - Professor de Educação Infantil
Texto CG1A1-I
— Oh! seu Pilar! bradou o mestre com voz de trovão.
Estremeci como se acordasse de um sonho, e levantei-me às pressas. Dei com o mestre, olhando para mim, cara fechada, jornais dispersos, e ao pé da mesa, em pé, o Curvelo. Pareceu-me adivinhar tudo.
— Venha cá! bradou o mestre.
Fui e parei diante dele. Ele enterrou-me pela consciência dentro um par de olhos pontudos; depois chamou o filho. Toda a escola tinha parado; ninguém mais lia, ninguém fazia um só movimento. Eu, conquanto não tirasse os olhos do mestre, sentia no ar a curiosidade e o pavor de todos.
— Então o senhor recebe dinheiro para ensinar as lições aos outros? disse-me o Policarpo.
— Eu...
— Dê cá a moeda que este seu colega lhe deu! clamou.
Não obedeci logo, mas não pude negar nada. Continuei a tremer muito. Policarpo bradou de novo que lhe desse a moeda, e eu não resisti mais, meti a mão no bolso, vagarosamente, saquei-a e entreguei-lha. Ele examinou-a de um e outro lado, bufando de raiva; depois estendeu o braço e atirou-a à rua. E então disse-nos uma porção de coisas duras, que tanto o filho como eu acabávamos de praticar uma ação feia, indigna, baixa, uma vilania, e para emenda e exemplo íamos ser castigados. Aqui pegou da palmatória.
Machado de Assis. Conto de escola. In: 50 contos de Machado de Assis. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 331.
O texto CG1A1-I caracteriza-se, predominantemente, como
jornalístico, em que fatos reais são relatados de forma objetiva, imparcial e impessoal.
dissertativo-argumentativo, no qual se defende um ponto de vista sobre a educação.
descritivo, visto que traça detalhadamente o cotidiano do espaço escolar.
narrativo, no qual há relato das ações de personagens em determinado tempo e espaço.
injuntivo, pois apresenta orientações ao leitor quanto à pedagogia escolar.
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