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Português - CONSULPAM 2024 - Agente Comunitário de Saúde (ACS)

TEXTO

        Cidades são espaços extremamente complexos, porque apresentam diferentes arranjos espaciais espalhados por todo o tecido urbano. Se incluirmos o componente temporal na equação, a complexidade é ainda maior. A espacialidade e a temporalidade são dimensões essenciais na análise das cidades, embora a maioria dos estudos se preocupem mais com a espacialidade, muito por causa da complexidade de obtenção de dados temporais que envolvem mais dificuldades em sua representação.

       Mas e o tempo? Cidades têm a mesma temporalidade? Os ritmos das localidades intraurbanas são iguais? Existem espaços que não dormem? Todas as possíveis respostas a esses questionamentos necessitam da análise do que chamamos de ritmo urbano. Conceber, gerir e planejar os espaços urbanos pensando em sua diversidade temporal se torna cada dia mais necessário.

       Analisar o tempo nas cidades ajuda a entender as dinâmicas urbanas e as diferenças espaciais internas. Hoje, muitas secretarias municipais, principalmente de municípios metropolitanos e cidades médias, buscam compreender como os usos e as atividades dos espaços urbanos se modificam ao longo do dia, da semana ou do ano, possibilitando, assim, que áreas mais ou menos ativas possam ser mais bem atendidas quanto à infraestrutura urbana.

      Desde que o geógrafo sueco Torsten Hägerstrand (1916-2004) propôs, em 1970, a geografia do tempo', os ritmos diários da cidade têm sido estudados a fim de se compreender melhor a vida urbana. Afinal, as relações de tempo e espaço oferecem um quadro de como as cidades funcionam.

      Onde quer que haja uma interação entre um lugar, um tempo e um gasto de energia, há um ritmo, como bem disse o filósofo francês Henri Lefebvre (1901-1991). Então, podemos pensar que o ritmo urbano diz respeito ao tempo que as pessoas utilizam exercendo suas atividades nos espaços. O mais interessante sobre isso é poder analisar como o tempo se materializa no espaço, ou seja, como se transforma em padrões de ritmo das cidades.

      Nos estudos de ritmo urbano existem dois conceitos utilizados para entender o ritmo nas cidades: a ‘ritmanálise’, de Henri Lefebvre, e o 'cronotopo’, do filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895-1975). Em ambos, o ritmo não é o objeto de análise, é a própria ferramenta analítica.

      Na abordagem de Lefebvre, o ritmo é como um indicador para medir a diversidade funcional de um lugar e busca entender os variados ritmos oriundos das diferentes velocidades, trajetórias e práticas humanas.

      Já a ideia de cronotopo é o quadro que reúne esses diferentes ritmos e que permite entender os polirritmos de um lugar, ou seja, busca entender a combinação única de vários ritmos. É uma unidade de temporalidade específica associada a um lugar especifico. Nesse quadro, a cidade se organiza em tipos específicos de temporalidade.

      Quanto maior a diversidade de atividades que ocorrem na cidade, maior será a variedade de tipos de ritmos. Podem ser ritmos diários - que dizem respeito aos eventos ordinários do cotidiano, como ocorre em um local em que as pessoas saem de manhã para trabalhar e retornam à noite, o que ocasiona uma intensidade variada, desde o vazio até o adensamento, como no caso da estação de trem da Luz, em São Paulo capital.

      Existe também o tipo semanal, que ocorre toda semana e altera o ritmo do lugar. É o caso do bairro da Lapa, no centro do Rio de Janeiro. Durante a semana, o ritmo é aquele que corresponde à vida cotidiana dos moradores locais, enquanto, nas sextas e nos sábados, principalmente à noite, o ritmo fica mais acelerado devido à sociabilidade. Com o funcionamento de bares, boates, casas de show, barraquinhas nas ruas, entre outros, há uma maior movimentação nas ruas nesses dias todas as semanas.

       Diferentemente disso, são os padrões rítmicos dos eventos extraordinários aqueles que ocorrem de forma anual ou sazonal e que alteram totalmente os tempos dos lugares. Como exemplo temos o Carnaval, festivais e eventos que ocorrem todos os anos em diferentes cidades brasileiras e que movimentam as ruas das cidades mais do que a forma habitual.

       Sabe-se que o ritmo urbano de uma grande cidade é bem diferente daquele de uma pequena. Os dados mostram que, nas metrópoles, há uma complexidade maior, visto que internamente o ritmo se apresenta em graus diferentes, dependendo do lugar na cidade e das atividades que ali se desenvolvem. O ritmo urbano evidencia como a organização interna das metrópoles são complexas.

H ARAÚJO, P. L. C. et al. Ritmos urbanos como tempo e espaço estruturam a vida nas cidades. Artigo publicado na página da Revista Ciência Hoje. Disponível em:. Último acesso em 03 de agosto de 2024. (Texto adaptado)


Em "aqueles que ocorrem de forma anual ou sazonal e que alteram totalmente os tempos dos lugares" o termo destacado se refere a: 

Algo que acontece poucas vezes ao ano.

Algo que acontece raramente.

Algo que acontece todo mês. 

Algo que acontece numa mesma época do ano.

A alternativa correta é a letra B. Esta questão avalia o conhecimento sobre Português. O gabarito comentado explica cada alternativa com base na legislação vigente e na jurisprudência dos últimos anos.

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