Conhecimentos Específicos: Letras - Fundação CETREDE 2025 - Professor de Língua Portuguesa
Leia o poema de Ferreira Gullar.
Agosto de 1934
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro-Leblon.
Volto do trabalho, a noite em meio, fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud, relógio de lilases, concretismo, neoconcretismo, ficções da juventude, adeus, que a vida eu compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca, a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida, meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do horror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira
(GULLAR, FERREIRA. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001. p.170.)
Assinale a alternativa correta sobre a reflexão do eu lírico sobre sua condição e destino de seu poema.
O poema está focado no fato histórico do Golpe Militar de 1964, mostrando-se desesperançoso a respeito do contexto.
O poema apresenta influências, apenas, do Concretismo da época, aplicando em seus próprios poemas experimentos estéticos.
As primeiras estrofes do poema apresentam uma metáfora para expressar as consequências da ditatura militar e desigualdade.
O poeta mostra em sua última estrofe que a poesia pode ser extraída mesmo diante das coisas mais bárbaras vividas na época.
As estrofes são construídas com o uso de assíndeto, especialmente nas últimas, algo claro do estilo do Concretismo da época.
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