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É VERDADE QUE OS CAVALEIROS DO ZODIACO SÓ FAZ SUCESSO NO BRASIL?
A resposta curta é: não. Cavaleiros do Zodíaco não foi abraçada apenas pelo público brasileiro. Em primeiro lugar, nós nem fomos os primeiros a receber a obra de Kurumada. Esse feito ficou para os franceses que, em 1988, foram os responsáveis por transformar o título de Saint Seiya para Les Chevaliers du Zodiaque, que se tornou o nome oficial da obra ao redor do mundo.
Os europeus foram os primeiros a importar não apenas a história, mas a forma de lucrar com ela ao usar o desenho animado como comercial para brinquedos inspirados nele. Dessa forma, a jornada de Seiya, Saori e companhia se espalhou pelo mundo rapidamente. A revista Veja citou em novembro de 1994 que a franquia tinha a franquia tinha um faturamento aproximado de US$ 100 milhões graças desempenho em territórios como Portugal. Espanha. México e na própria França. Uma febre que não demorou para tomar conta também da América do Sul.
É ai que o Brasil entra na história. Ou melhor. é ai que Cavaleiros do Zodíaco faz história no Brasil.
O ano de 1994 foi agitado para o Brasil. Entre uma eleição presidencial, a conquista de uma Copa do Mundo no futebol e o adeus a um grande ídolo como Ayrton Senna, o país ainda recebeu Os Cavaleiros do Zodíaco. Colocar a estreia do anime na mesma prateleira dos demais eventos pode parecer exagero, mas não é.
Seis anos após a estreia do anime em terras francesas. a empresa Samtoy decidiu lançar os brinquedos da saga por aqui e, para isso, estava disposta a arcar com os custos da exibição da série animada. Recusada por Recusada por várias emissoras, a companhia só conseguiu emplacar a animação na Rede Manchete, que "pagou" o investimento da Samtoy com os intervalos comerciais da exibição da série.
Os Cavaleiros do Zodíaco se tornou um sucesso estrondoso que fez bem para ambas as partes. A Manchete conquistou uma audiência que vinha precisando há tempos. meses antes a emissora chegou a sair do ar devido a uma crise financeira - enquanto a Samtoy lucrou imensamente com a venda dos bonecos. Em dez meses. foram mais de 800 mil brinquedos vendidos.
Esse sucesso movimentou também outros setores, como o cinema. A própria revista Veja reportou a expectativa pela estreia de Os Cavaleiros do Zodíaco O Filme (1995) dizendo que "nunca um filme estreou no país ocupando tantas salas ao mesmo tempo". O que diz muito, considerando que a produção estreou quando títulos como Batman. Eternamente e Pocahontas ainda estavam em cartaz.
Esses são alguns dos eventos que ajudam a dimensionar o fenômeno Cavaleiros do Zodíaco nos anos 1990, tido por muitos como um dos grandes responsáveis pela explosão dos animes no país. Se hoje temos eventos, streamings e editoras dedicadas a obras asiáticas além de títulos como Demon Slayer e Suzume chegando aos cinemas por aqui muito se deve aos guerreiros do cosmo. Com isso em mente, talvez não seja exagero dizer que essa estreia entrou para a história de país, ao ser um catalisador para que ele se abrisse para toda uma cultura.
Curiosamente, esse raio caiu duas vezes por aqui e a franquia teve outro pico de popularidade nos anos 2000. Foi neste ano que o manga chegou ao pais, em uma publicação da editora Conrad, que chegou ao fim em 2004. Neste mesmo ano, o anime voltou com tudo no canal pago Cartoon Network e na TV aberta pela Band. Com direito a uma nova abertura ao som de Pegasus Fantasy na voz do cantor Edu Falaschi, esse momento foi responsável pela criação de uma nova geração de fãs - incluindo este que vos escreve.
Mas não pense que o mundo havia abandonado os Cavaleiros do Zodíaco enquanto o Brasil se reencontrava com a saga. Afinal de contas, há uma famosa lenda urbana sobre uma possível influência francesa na aguardada conclusão da série clássica.
O anime dos anos 1990 chegou ao fim antes de adaptar a famosa Saga de Hades, que encerra a história contada por Masami Kurumada nos mangás. Após anos sonhando com essa conclusão, um fã francês chamado Jérôme Alquié produziu de forma independente dois curtas imaginando como seria o arco final em animação.
Coincidentemente ou não, um ano depois a Toci decidiu animar a saga final no formato OVA (Original Video Animation). Apesar de nunca ser creditado oficialmente pelo retomo do anime, a influência de Alquié é óbvia para muitos. Anos depois, o autor recebeu a chance de trabalhar oficialmente na franquia com Saint Seiya Time Odyssey, HQ francesa que conta uma história original.
Então, de onde surgiu o boato de que Cavaleiros do Zodíaco só fez sucesso no Brasil?
Antes de encerrar, é interessante refletir sobre de onde vem essa história de que Cavaleiros do Zodíaco é um fenômeno exclusivo do Brasil. O primeiro argumento é que Seiya e seus companheiros ficaram para trás em comparação a outros grandes mangás de sucesso da atualidade.
Por exemplo, o manga clássico atingiu a marca de 50 milhões de cópias vendidas em 2022, mais de 35 anos após sua estreia. Para comparação, Demon Slayer bateu 60 milhões de cópias em circulação pouco menos de quatro anos após o inicio da publicação em fevereiro de 2021, o número chegou a 150 milhões.
Outro fator pode ser o fato de que a saga nunca explodiu nos Estados Unidos. Ao contrário de Dragon Ball ou Naruto, Cavaleiros passou batido na terra do Tio Sam, chegando por lá apenas em 2003 e passando longe do fenômeno que foi na Europa e na América Latina. Por mais absurdo que pareça. há quem acredite que passar batido pelos EUA seja sinal de fracasso, como se os estadunidenses fossem algum tipo de padrão de qualidade.
Essas são algumas das possibilidades, mas é difícil traçar a raiz dessa conversa. Talvez a razão seja muito mais simples e tenha a ver com o fato de que nenhuma cultura popular foi tão impactada por Cavaleiros do Zodíaco quanto a do Brasil. E, se for o caso, a comparação diz mais sobre a paixão dos brasileiros por uma produção que fez elevar o cosmo no coração de uma nação inteira.
(Adaptado de: https: jovemnerd.com.br/nerdbunker cavaleiros-do-zodiaco- sucesso-nobrasil. Acesso: 1201/20241
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Segundo o autor, obras boas nunca são produzidas nos Estados Unidos.
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