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Português - CONSULPAM 2024 - Professor de Educação Infantil

TEXTO

 

A dengue é um problema sério de saúde pública no Brasil e em diversos países tropicais e subtropicais no mundo. A doença é causada pelo vírus da dengue (DENV), que é transmitido aos humanos pela picada de mosquitos, principalmente o Aedes aegypti.

Estima-se que metade da população mundial viva em áreas de risco de infecção, com, pelo menos, um dos quatro tipos diferentes de DENV (sorotipos 1, 2, 3 e 4). Esta diferença se baseia nos anticorpos que são produzidos quando uma pessoa se infecta com um DENV, o que chamamos de diferenças antigênicas.

A doença é caracterizada por vários sintomas, incluindo febre alta, geralmente acompanhada de dores de cabeça, nos olhos, nas articulações e musculares. Esses sintomas duram poucos dias, após os quais a maioria dos indivíduos se recupera. Entretanto, algumas pessoas podem desenvolver quadros mais graves, conhecidos como a febre hemorrágica da dengue e síndrome do choque da dengue, que podem levá-las à morte.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os vários quadros da doença como: dengue sem ou com sinais de alerta e dengue grave. Os sinais de alerta incluem, por exemplo, dores abdominais, vômitos persistentes, aumento do volume do fígado e dos níveis das enzimas hepáticas, e os indivíduos com esses sintomas devem ser acompanhados mais de perto, pois podem desenvolver a dengue grave. [...]

A partícula viral é recoberta por uma membrana denominada envelope, onde ficam inseridas várias cópias das proteínas de membrana (M) e do envelope (E). Abaixo desse envelope, várias proteínas do capsídeo (C) se organizam como uma cápsula e, no seu interior, se encontra o material genético do vírus, que é uma molécula de RNA.

Para que o vírus penetre as células e novas cópias dele sejam produzidas, é necessário que ele interaja com estruturas presentes na membrana das nossas células, chamadas receptores. Essa ligação vírus-célula ocorre, principalmente, através da proteína E, fazendo com que o vírus seja englobado em vesículas no interior das células.

Posteriormente, o RNA do vírus é liberado e são feitas várias cópias das proteínas M, E e C (que, por fazerem parte da partícula viral, são chamadas estruturais) e também de sete outras proteínas chamadas não estruturais. Além dessas proteínas, são sintetizadas várias cópias do RNA do DENV que, junto com as novas proteínas estruturais, vão compor as próximas partículas virais.

As proteínas não estruturais são importantíssimas para que sejam produzidas as novas partículas virais, que, por sua vez, vão infectar novas células e assim dão continuidade ao processo de infecção. Além disso, as proteínas não estruturais também atuam regulando a resposta imune do indivíduo infectado.

Após a infecção com um determinado sorotipo de DENV (1, 2, 3 ou 4), a pessoa fica protegida contra infecções futuras com o mesmo sorotipo viral. Contudo, uma segunda infecção com um sorotipo diferente de DENV aumenta probabilidade de a pessoa desenvolver a dengue grave.

Existem algumas teorias para explicar esse fato. Uma delas é o aumento da replicação do vírus dependente de anticorpos (conhecido como ADE-do inglês, antibody dependent enhacement). Após a infecção, os indivíduos produzem anticorpos que se ligam às proteínas do vírus. Alguns desses anticorpos são capazes de impedir a entrada do vírus nas células, evitando que mais vírus sejam produzidos.

Esses anticorpos são denominados neutralizantes e se ligam principalmente à proteína E do vírus, impedindo que essa proteína interaja com os receptores das células. Entretanto, os anticorpos também podem ter um efeito oposto, atuando para o agravamento da doença.

Nesse caso, os anticorpos produzidos na primeira infecção se ligam às proteínas do vírus da segunda infecção, mas não têm a capacidade de neutralizar esses vírus, caso ele seja de outro sorotipo. Ao contrário, esses anticorpos interagem com a célula e facilitam a entrada dos vírus. Consequentemente, são feitas mais cópias do vírus, levando ao agravamento da doença.

Outras teorias, não necessariamente excludentes, também explicam por que as infecções de um sorotipo de DENV seguida de outro podem levar aos quadros mais graves da dengue.

De um modo geral, o que se observa nos casos graves da doença é que os indivíduos ativam uma resposta imune descontrolada contra o sorotipo para o qual não estão protegidos. Por isso, uma vacina contra a dengue deve proteger contra os quatro sorotipos de DENV. Caso contrário, se depois de vacinada a pessoa se infectar com o sorotipo para o qual ela não está protegida, a resposta imune induzida com a vacina pode facilitar a infecção com esse vírus e levar ao desenvolvimento de uma dengue mais

grave.

Atualmente, existem duas vacinas disponíveis contra a dengue. A primeira vacina licenciada no mundo foi a Dengvaxia, produzida pela farmacêutica Sanofi Pasteur, que utiliza o vírus da vacina contra a febre amarela. Essa vacina é produzida com o próprio vírus da febre amarela que sofreu mutações e não causa mais a doença, mas ativa uma resposta imune protetora nos humanos, sendo, por isso, chamada de vacina viva atenuada.

O material genético do vírus da febre amarela é bastante semelhante ao do DENV. Para o desenvolvimento da Dengvaxia, os cientistas modificaram o vírus vacinal da febre amarela, trocando os genes das proteínas M e E da febre amarela pelos genes das proteínas do DENV. Eles construíram quatro vírus, cada um com as proteínas M e E de um sorotipo diferente de DENV.

Por isso, a Dengvaxia é uma vacina tetravalente, que deveria proteger contra os quatro DENVS. Mas, infelizmente, foi observado que algumas crianças que nunca tinham tido dengue antes da vacinação e se infectaram posteriormente com o DENV apresentaram quadros mais graves da doença. [...]

Fonte: Alves, Ada Maria de Barcelos. Artigo publicado na revista eletrônica Ciência Hoje e disponível na página: <https://https://cienciahoje.org.br/artigo/dengue-em-busca-de- uma-protecao-mais-eficaz/>. Último acesso: 15 de outubro de 2024. (Texto adaptado).


No trecho "Esses anticorpos são denominados neutralizantes e se ligam principalmente à proteína E do vírus, impedimpedindo que essa proteína interaja com os receptores das células. Entretanto, os anticorpos também podem ter um efeito oposto [...]", o termo destacado introduz a noção de:

Finalidade.

Conclusão.

Evidência. 

Contraste.

 

A alternativa correta é a letra B. Esta questão avalia o conhecimento sobre Português. O gabarito comentado explica cada alternativa com base na legislação vigente e na jurisprudência dos últimos anos.

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