Conhecimentos Específicos: Letras - CONSULPAM 2025 - Professor de Letras
TEXTO
A FÁBRICA DE CRETINOS DIGITAIS: OS PERIGOS DAS TELAS PARA NOSSAS CRIANÇAS
No maravilhoso mundo digital, as ficções são muitas e variadas. No entanto, em última análise, quase todas elas se apoiam na mesma quimera fundadora: as telas transformaram fundamentalmente o funcionamento intelectual e a relação que os jovens, doravante chamados nativos digitais, mantêm com o mundo. Para o exército missionário da catequese digital, três traços marcantes caracterizam essa (nova) geração: o zapping, a impaciência e o coletivo.
Essas evoluções são tão profundas que tornam definitivamente obsoletas todas as abordagens pedagógicas do velho mundo. Não é mais possível negar a realidade: nossos alunos mudaram radicalmente. Hoje, os estudantes não são mais as pessoas que nosso sistema educacional se preparou para ensinar. Eles pensam e processam informações de maneira fundamentalmente diferente de seus predecessores. Na verdade, eles são tão diferentes de nós que já não podemos mais utilizar nosso conhecimento do século XX ou mesmo nossas experiências como guia no sentido de buscar o melhor para eles no âmbito pedagógico. Os estudantes de hoje dominaram uma grande variedade ferramentas (digitais) que nós jamais conseguiremos dominar com o mesmo nível de habilidade. Dos computadores ao MP3, passando pelos telefones- câmeras, essas ferramentas se tornaram extensões de seus cérebros. Carentes de uma formação adaptada, os professores atuais não se encontram no mesmo nível, eles falam uma linguagem ultrapassada (aquela da era pré-digital). Certamente, está na hora de passar para um novo tipo de pedagogia que leve em conta as evoluções de nossa sociedade, pois a educação de ontem não permitirá a formação dos talentos de amanhã. E, neste contexto, melhor ainda seria dar aos prodigiosos gênios digitais as chaves do sistema como um todo. Liberados dos arcaismos do mundo. antigo, eles serão a única e principal fonte de orientação para tornar suas escolas lugares relevantes e eficientes para o aprendizado.
Seria possível, ao longo de dezenas de páginas, relacionar apologias e proclamações desse tipo. Isso, contudo, careceria totalmente de interesse. Na verdade, para além das variações locais, a logorreia mantém-se sempre na órbita de três grandes proposições: (1) a onipresença das telas digitais criou uma nova geração de seres humanos absolutamente diferentes dos precedentes; (2) os membros dessa geração são especialistas no manejo e na compreensão das ferramentas digitais; (3) para preservar alguma eficácia (e credibilidade), o sistema escolar deve, imperativamente, se adaptar a essa revolução.
Há quinze anos, a validade dessas afirmações vem sendo metodicamente aferida pela comunidade cientifica. E aí também a quem isso poderá surpreender os resultados obtidos contradizem de forma frontal a euforia das ficções da moda. Em seu conjunto, a literatura sobre o nativo digital demonstra uma clara incompatibilidade entre a confiança com que as alegações são feitas e a evidência dessas reivindicações. Em outros termos, até hoje, não existe evidência convincente que sustente essas afirmações. Todos esses estereótipos geracionais são claramente uma lenda urbana, e o mínimo que se pode dizer é que o retrato otimista das competências digitais das gerações mais jovens tem fundamentos precários. Conclusão, todos os elementos disponíveis convergem para mostrar que os nativos digitais são um mito pelos seus próprios méritos, um mito a serviço dos ingênuos.
Fonte: DESMURGET, Michel. A fábrica de cretinos digitais: os perigos das telas para nossas crianças. São Paulo: Vestigio, 2021.(Adaptado).

Fonte: Redação Jornal de Brasilia. Disponivel em: . Acesso: 31 de março de 2025.
A charge, embora utilize uma linguagem distinta, converge para a desconstrução do mito do nativo digital, assim como o Texto II. Desse modo, assinale a alternativa que descreve com precisão a intercompreensão entre esses textos
A charge corrobora a tese de Desmurget (2021) de que a escola deve se adaptar às novas tecnologias, incorporandoas para atender às necessidades dos "nativos digitais".
A charge, ao representar os alunos como "zumbis" viciados em tecnologia, problematiza a suposta habilidade inata da nova geração em lidar com as ferramentas digitais, desconstruindo a imagem idealizada do "nativo digital".
O texto e a charge convergem para a defesa da manutenção das práticas pedagógicas tradicionais, argumentando que a adaptação às novas tecnologias prejudica 0 desenvolvimento cognitivo dos alunos
A charge critica a resistência dos professores ao uso das tecnologias na educação, enquanto o texto defende a necessidade de formação adequada para que os docentes as utilizem de forma crítica e reflexiva.
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