Conhecimentos Específicos: Letras - CONSULPAM 2025 - Professor de Letras
TEXTO III
A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA NA LITERATURA: UM NOVO CONTEXTO NAS PRÁTICAS DE LEITURA, PRODUÇÃO E ANÁLISE DA LITERATURA
[...] A literatura digital ou nascida no meio digital aponta novos caminhos estéticos e conceituais que a teoria literária não consegue sistematizar completamente com a teoria tradicional aplicada nos séculos anteriores, pois os fenômenos que são verificados, até porque podem ser modificados a cada experiência de leitura, rompem com diversos conceitos estéticos da literatura tradicional (impressa) Isso é muito diferente de obras clássicas ou populares que são digitalizadas e guardam o mesmo modus operandi do livro impresso. Evidentemente essas inovações podem ser postas em paralelo com outras propostas estéticas que também tentaram romper com esses conceitos consolidados, um dos pontos comparativos é com o movimento brasileiro da década de 1950 denominado Concretismo, idealizado por Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, que propôs uma expansão semiótica da experiência literária abordando o verbal e o não verbal.
Aproveitando essa analogia entre o Concretismo e a literatura transmidiática, alguns pontos parecem relevantes. Respostas definitivas e exatas podem não valorizar a construção histórica e conceitual da arte. Para estabelecer essa comparação entre esses dois momentos e apontar uma resposta, analisemos alguns aspectos da entrevista que Augusto de Campos deu ao Diário Catarinense em 27 de março de 2006 para o repórter Luís Turiba, disponível no site do Ministério da Cultura. A relação de desconforto com o novo e a transgressão da arte tradicional causou um estranhamento no Brasil de 1950, segundo Campos: "Aqui [Brasil], enfrentamos um bombardeio análogo ao dos modernistas de 22. Praticamente toda a intelectualidade contra. Exceto Manuel Bandeira. Os que diziam [...] que nós "precisávamos de um bom curso primário", e os que achavam [...] que necessitávamos era de "um banho de burrice" Segundo o autor, "a poesia concreta estava sintonizada com essas prospecções tecnológicas" (CAMPOS, 2006, p. 3), evidenciando propostas de uma nova linguagem e novas interações artísticas, isto é, o contexto impulsionou uma nova estética que não foi aceita/entendida em um primeiro momento. Isso tudo transcorreu antes da grande propagação das tecnologias deste século, Campos (2006, p. 3) diz que "quando os computadores chegaram, foi só deitar e rolar", porém essa visão criativa e de inovação artística nem sempre é acompanhada com o mesmo entusiasmo pelos críticos e estudiosos.
Fonte: FURTADO, J. C. D. A influência da tecnologia na literatura: um novo contexto nas práticas de leitura, produção e análise da literatura. Akrópolis, Umuarama, v. 29, n. 1, p. 29- 45, jan./jun. 2021. (Adaptado).
Observe a letra da música:
Cademar (Tom Zé)
"Ô ô cadê mar
ô ô cadê ô ô ô cadê mar
ia que não vem
ô ô cadê mar
ô ô cadê
ô ô ô cadê mar
ria que não vem."
A letra da música caracteriza-se pela repetição da expressão "cadê mar", criando um efeito de sonoridade e musicalidade de inovação artística que muitas vezes é ignorada ou rejeitada em um primeiro momento. No texto de Furtado (2021), Augusto de Campos relata a resistência que o movimento concretista enfrentou no Brasil, comparando-a ao "bombardeio" sofrido pelos modernistas de 22. Desse modo, assinale a alternativa que representa a relação entre a repetição na música e a crítica à resistência à inovação presente no texto.
A repetição na música simboliza a persistência da busca pela inovação artística, mesmo diante da resistência e do bombardeio da crítica, assim como o Concretismo enfrentou críticas e rejeição em sua época.
A repetição representa a monotonia e a falta de criatividade da arte contemporânea, que se repete sem trazer inovações significativas, assim como o uma "arte Concretismo foi acusado de ser primária".
A repetição cria um efeito hipnótico e alienante, que impede a reflexão crítica e a compreensão da obra de arte, assim como o Concretismo foi considerado uma "arte de burrice" por alguns críticos.
A repetição em enfatizar a importância da tradição e da repetição de modelos consagrados na arte, em oposição à busca desenfreada por novas formas de expressão, como a proposta pelo Concretismo.
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