Português - CONSULPAM 2023 - Professor de Educação Infantil
TEXTO
O famoso tupi antigo ou tupinambá, falado em boa parte do litoral brasileiro quando Pedro Álvares Cabral pisou aqui, era só uma das línguas faladas no Brasil. A propósito, esqueça aquele negócio de "tupi- guarani", expressão que é meio como dizer "português-espanhol". O tupi é uma língua; o guarani é outra - e, aliás, existem diversas formas de guarani, nem sempre inteligíveis entre si.
O único emprego correto do substantivo composto "tupi-guarani" é o que serve para designar uma subfamília linguística com esse nome, a qual engloba dezenas de idiomas. Entre seus membros ainda usados no cotidiano estão o nheengatu (um descendente moderno do tupi do Brasil Colônia), os vários "guaranis", o tapirapé e o guaja. Uma subfamília, como você pode imaginar, faz parte de uma família linguística mais ampla – nesse caso, a família tupi propriamente dita, que inclui ainda outras dezenas de línguas, como o munduruku, o juruna, o tupari e o suruí.
Existem pelo menos outras três grandes famílias linguísticas no país, diversas outras famílias de porte mais modesto e, de quebra, várias línguas consideradas isoladas, ou seja, sem nenhum parentesco identificável com outros idiomas. É mais ou menos o mesmo caso do basco, falado na Espanha e na França - com a diferença de que o basco é um dos únicos casos desse tipo no território europeu. Essa comparação ajuda a entender o tamanho da riqueza linguística brasileira. Com raríssimas exceções (fora o basco, temos também o finlandês e o húngaro, por exemplo), todos os falares ainda utilizados hoje na Europa fazem parte de uma única família linguística, a do indo-europeu. (Esse "indo-" no nome não é por acaso - várias línguas importantes da Índia também fazem parte da família.) Pode não parecer à primeira vista, mas é praticamente certo que o alemão, o russo, o grego, o português e o lituano descendem de um único idioma pré-histórico, que hoje chamamos de protoindo-europeu (ou PIE, para encurtar).
(Extraído e adaptado de REINALDO, J.L. A sofisticação das línguas indígenas. Revista Superinteressante. Grupo Abril. 18. nov. 2021)
Assinale a alternativa CORRETA a respeito da comparação entre tupi-guarani e português-espanhol no texto.
O narrador realiza esse cotejamento para informar que o termo tupi-guarani é empregado erroneamente.
O narrador emprega essa comparação para acrescentar a ideia de que o guarani é uma língua com subtipos nem sempre intercompreensíveis.
O narrador realiza esse cotejamento para evidenciar o fato de tupi e guarani serem línguas diversas, tal como português e espanhol.
O narrador pretende explorar o tamanho da riqueza linguística brasileira, ao evidenciar as diferenças entre português e espanhol e entre tupi e guarani, que é uma família linguística.
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