Português - Instituto Legatus 2023 - Técnico em Enfermagem
Texto 1 - O dia em que a internet sumirá
A energia elétrica demorou décadas para se tornar popular. Em 1879, Thomas Edison inventou a lâmpada incandescente, e ela começou a ser usada na iluminação pública. Nos anos seguintes, Edison também eletrocutou gatos, cães, vacas e até um elefante, para mostrar ao público o perigo do fornecimento de energia em corrente alternada (que usamos hoje). Os cidadãos temiam a instalação da fiação nas ruas. Em 1910, menos de um décimo das casas americanas tinha acesso à eletricidade, cara e instável. Só nos anos 1950 acionar um interruptor se transformou em ato trivial. Epopeia similar envolveu a difusão dos automóveis a gasolina. Os primeiros fabricados em série começaram a circular na Alemanha em 1888. Doze anos depois, aconteceu o primeiro atropelamento fatal, em Londres.
Hoje, nas maiores cidades, o cidadão dispõe de eletricidade, carro, táxis e ônibus à vontade, nem precisa pensar sobre como usá-los. Antes de se integrar ao cotidiano, essas tecnologias precisaram evoluir.
A próxima geração de redes de telefonia móvel, a quinta, chamada de 5G, promete transformar a experiência do acesso. É a evolução das redes em implementação no Brasil hoje, de quarta geração, ou 4G. Uma rede 5G será mais veloz e estável.
Toda essa expectativa ainda se baseia em ideias e experiências em laboratórios. Tentar antever o futuro é uma atividade arriscada. Não sabemos quanta informação transmitirá um carro autônomo, conectado a uma estrada inteligente. Ou qual será o tamanho de um arquivo de realidade virtual. O usuário tem vasta capacidade de se acostumar rapidamente ao que há de bom numa novidade e começa a perceber somente seus defeitos.
Mais interessante é pensar nas mudanças no comportamento e nas oportunidades. Em 1983, o matemático, cientista e escritor de ficção científica americano Vernor Vinge inventou o termo "singularidade tecnológica". Vinge referia-se a um evento capaz de provocar uma ruptura no tecido da história, como o advento da inteligência artificial superior à humana. Um dos avanços que poderiam contribuir para o aparecimento da singularidade, imaginou Vinge, seria uma rede de computadores se tornar consciente. Vinge chamou essa hipótese de “Cenário Internet”. Ela se tornou popular com o filme O exterminador do futuro, de 1984. Talvez singularidades não precisem ocorrer num momento breve e dramático.
Também será mais difícil desfrutar períodos de desconexão. Talvez surja a versão digital da agorafobia, o medo de multidões e espaços abertos. O que ocorrerá com a "geração selfie", já criticada pela falta de compostura e noção de privacidade? David Baker, consultor e professor da The School of Life de Londres, é um defensor da vida menos conectada. "A velocidade e a força do mundo digital ameaçam causar danos a habilidades humanas importantes, como as artes, a empatia e a reflexão", afirma. "Também, ameaçam-se os direitos humanos, como privacidade, autonomia e calma." A ponderação é relevante. [...]
Texto de Bruno Ferrari, e Marcos Coronato - disponível em http://epoca.globo.com/ideias/noticia/2014/10/o-dia-em-que-b-internet-sumirab.html - acesso em 09 de janeiro de 2024.
Em 1983, o matemático, cientista e escritor de ficção científica americano Vernor Vinge inventou o termo “singularidade tecnológica”. As aspas empregadas nesses excerto tem o sentido de
apresentar uma relação intertextual com o trabalho dos cientistas elencados no texto.
promover uma conotação autonímica acerca da expressão no seu contexto de uso.
fazer referência direta ao bojo dos estudos desenvolvidos pelo cientista americano.
construir uma ironia com a expressão, já que não há singularidade mas complexidade.
ratificar a convicção de que o movimento de mudança é constante, e as expressões vão sendo adequadas a elas.
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