Português - Instituto Legatus 2023 - Professor de Ensino Fundamental - História
Inteligência artificial não se compara à criatividade humana
Foi Galileu quem disse primeiro, no final do século 16, que todos os corpos caem na Terra com a mesma velocidade, ainda que tenham pesos diferentes. Teria constatado isso ao jogar objetos pesados e leves, ao mesmo tempo, do alto da torre de Pisa.
A historieta mostra a primazia da pesquisa empírica sobre as especulações metafísicas e, em decorrência, a superioridade do método científico sobre dogmas religiosos? Não. Mas a descoberta de Galileu serve de exemplo para algo de fato decisivo: a criatividade humana.
"Ele não soltou bolas das alturas da torre de Pisa", diz Noam Chomsky em "Os Segredos das Palavras", um livro com seu longo diálogo com o linguista italiano Andrea Moro, publicado pela editora Unesp. O que Galileu fez foram "experimentos mentais muito inteligentes".
Galileu então generalizou: todas as coisas caem na mesma velocidade, se desconsiderarmos o atrito com o ar, que depende de suas formas —como um objeto de dez quilos de algodão tem uma superfície maior que um de dez quilos de chumbo, o primeiro cairá mais devagar.
É com argumentos como esse, tirados da história da ciência, que Chomsky critica o "entusiasmo e a empolgação com a inteligência artificial", o "exagero e a propaganda sobre o quanto as conquistas são incríveis".
Ele compara a excitação atual com o fetiche da tecnologia surgido no pós-Guerra nas universidades ianques. A Europa estava devastada, enquanto nos Estados Unidos a guerra propiciara os avanços tecnológicos que fizeram a produção industrial quadruplicar.
Hoje em dia, diz Chomsky, os computadores "falam", mas não esclarecem como nasce e opera o instrumento vital ao pensamento: a linguagem. O que a inteligência artificial faz é simulá-la, enchendo-a com informações que abarrotam bancos de dados.
O ceticismo de Chomsky ecoa o método de Newton, que concebeu a teoria da gravitação, mas evitou várias perguntas. "Por exemplo: como é o mundo? Qual é a natureza dele? Talvez jamais consigamos compreender essa questão. Newton deixou-a de lado. Até onde sabemos, estava certo."
Contudo, a descoberta de Chomsky foi um avanço e tanto. Andrea Moro a explica assim: "a ligação entre a estrutura da linguagem e o cérebro é tão revolucionária que nos leva a uma surpreendente conclusão, que pode ser expressa de um modo que reverte a perspectiva tradicional de 2.000 anos. Foi a carne que se tornou logos, e não o contrário".
A inteligência artificial ordena o que está contido nos "big data", os zilhões de informações dos supercomputadores. Por reiterarem os discursos dominantes, as formulações feitas pela IA têm um limite evidente: não podem se equiparar à criatividade humana.
Texto de Mario Sérgio Conti (com adaptações), publicado em 22.dez.2023. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/mariosergioconti/2023/12
A estratégia argumentativa de narrar uma historieta para relacionar o tema a ser discutido cumpre o propósito comunicativo de
negar que as o conhecimento empírico ajude a resolver os problemas metafísicos.
resolver os problemas metafísicos. (B) contrapor as convicções de um renomado cientista que desenvolveu trabalhos sobre a criatividade humana.
expor um fato científico que constituiu um marco para o desenvolvimento dos estudos da mente humana.
ratificar que os estudos sobre a inteligência artificial estão cercados de exagerada empolgação e, ainda com fundamentos superficiais, são considerados extraordinários para a humanidade.
descaracterizar, por meio de estudos mais aprofundados, os incríveis resultados proporcionados pelo desenvolvimento da tecnologia, que não podem se embasar apenas numa história contada por um cientista.
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