Português - Instituto Legatus 2023 - Professor de Língua Portuguesa
É um hábito humano – muito humano – culpar e punir os mensageiros pelo conteúdo odioso da mensagem de que são portadores – nesse caso, das enigmáticas, inescrutáveis, assustadoras e corretamente abominadas forças globais que suspeitamos (com boas razões) serem responsáveis pelo perturbador e humilhante sentido de incerteza existencial que devasta e destrói nossa confiança, ao mesmo tempo que solapa nossas ambições, nossos sonhos e planos de vida. E embora quase nada possamos fazer para controlar as esquivas e remotas forças da globalização, podemos pelo menos desviar a raiva que nos provocaram e continuam a provocar, e despejar nossa ira, alternadamente, sobre seus produtos, ao nosso lado e ao nosso alcance. Isso, claro, não vai chegar nem perto das raízes do problema, mas pode aliviar, ao menos por algum tempo, a humilhação provocada por nossa impotência e incapacidade de resistir à debilitante precariedade de nosso lugar no mundo.
BAUMAN, Z. Estranhos à nossa porta. Trad.: Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2017, p. 21-22.
O autor usa uma comparação inicial para alcançar seu propósito comunicativo e afirmar seu ponto de vista; a comparação feita do hábito humano fundamenta-se no(a)
mecanismo de proteção do apagamento das consequências das mudanças globais.
reconhecimento pessoal do panorama gerado pelas forças da globalização.
contraposição ao lugar do ser humano no mundo diante da crueza de nossa ira.
ratificação de como lidamos com os produtos impostos incessantemente pela globalização.
percepção provocada pela impotência do homem diante das incertezas do mundo moderno.
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