Conhecimentos Específicos: Letras - CEBRASPE 2026 - Professor de Língua Portuguesa
Texto 12A3-II
Escrevendo no dia 19 último sobre a morte de Mario Vargas Llosa, meu amigo Álvaro Costa e Silva observa que o escritor peruano nunca tuitou na vida. “Não precisava”, disse. “Qualquer declaração sua, artigo de opinião e entrevista logo estavam nas redes, provocando admiração ou rechaço.” Como todos que vivem de escrever, Vargas Llosa produziu verdades e sandices. O espantoso é que suas palavras tenham tido tanto alcance sem essa “ferramenta”, hoje essencial para milhões.
Modestamente, também nunca escrevi um tuíte na vida. Assim, deixo de atingir as multidões que se comunicam pelo Twitter, mas, como isso não lhes altera a cotação do dólar, deduzo que ninguém tem saído perdendo.
Assim como nunca tuitei, também nunca orkutei, bloguei, fotologuei, flickerei ou messengerei. E, assim como eu, muita gente deixou de fazer isso quando essas tecnologias ficaram fora de moda — você conhece alguém que ainda orkuta? Portanto, apenas me antecipei. Da mesma forma, nunca instagramei, facebookei, telegramei, tik-tokei, skypei, linkedinei ou snapchatei. O máximo que faço é whatsappar e, mesmo assim, pelo computador. Algumas pessoas se preocupam por terem um excesso de vida digital. Eu tenho de menos. Mas, como sou um homem de necessidades simples, vou me virando sem essas maravilhas.
Sei que parece esdrúxulo viver no século 21 e ainda usar a tecnologia do século 20. Mas alguns dos maiores escritores do século 20 criaram obras-primas usando a tecnologia do século 19. Marcel Proust, James Joyce e F. Scott Fitzgerald não escreveram, respectivamente, Em Busca do Tempo Perdido, Ulisses e O Grande Gatsby à máquina. Usaram a velha pena embebida no tinteiro.
E também nunca tuitaram.
Rui Castro. Também nunca tuitei. (com adaptações).
Assinale a opção correta a respeito de aspectos linguísticos do terceiro parágrafo do texto 12A3-II.
A utilização de neologismos como “orkutei”, “bloguei”, “tik-tokei”, “messengerei” evidencia a dinamicidade da língua portuguesa no que diz respeito às renovações lexicais promovidas por transformações tecnológicas
Os nomes de plataformas digitais originários de língua estrangeira foram aportuguesados por meio do acréscimo de formas flexionais de gênero e de número.
Os neologismos verbais utilizados pelo autor, amplamente recorrentes em textos oficiais, rompem com as orientações normativas da língua portuguesa, que proíbem o uso de estrangeirismos em textos de circulação pública.
As orações que compõem o último período do terceiro parágrafo — “Mas, como sou um homem de necessidades simples, vou me virando sem essas maravilhas” — são coordenadas e estabelecem entre si uma relação de contraste.
A adaptação à grafia e à conjugação verbal portuguesas dos empréstimos linguísticos configura-se como um desvio gramatical, pois não está prevista no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa tampouco no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
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