Conhecimentos Específicos: Letras - UPA 2025 - Professor de Língua Portuguesa
Analise os fragmentos textuais abaixo, considerando-os representativos de distintos momentos e estilos da literatura de língua portuguesa:
FRAGMENTO I
"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!"
(Fernando Pessoa, Mensagem)
FRAGMENTO II
"Negro drama, cabelo crespo e a pele escura
A ferida não cicatriza, essa porra me procura
O que se você fosse, o que você faria?
Se a sua vida fosse, tipo, o inferno todo dia?"
(Racionais MC's, Negro Drama)
FRAGMENTO III
"O cortiço fervilhava. De dia e de noite, era um zunzum de todos os lados: uma gente que entrava, outra que saía, sem cessar. A barulheira das lavadeiras nos tanques, o burburinho das conversas na escada, o chiar dos fogões, o choramingar das crianças, o coaxar dos sapos na valeta - tudo se misturava num amálgama de sons e cheiros que dava vida àquele inferno de gente miúda."
(Aluísio Azevedo, O Cortiço)
Com base no contexto socio-histórico e nas análises de textos nos diversos estilos literários da literatura portuguesa e brasileira, assinale a alternativa CORRETA:
Os três fragmentos, apesar de suas particularidades estéticas e temporais, compartilham uma preocupação comum com a identidade nacional e a representação do povo, sendo que o Fragmento I reflete a utopia sebastianista de Portugal, o Fragmento II expressa a voz de uma minoria excluída no Brasil urbano e o Fragmento III retrata a vida coletiva e miserável dos subalternos no Rio de Janeiro pós-Império
O Fragmento I, oriundo do Modernismo português, embora apresente a exaltação nacionalista, subverte a sintaxe clássica em busca de uma estética futurista, distanciandose das temáticas do Neoclassicismo ao abordar a melancolia existencial do eu lírico em relação ao passado grandioso.
O Fragmento III, um excerto do Realismo/Naturalismo brasileiro, descreve O ambiente de multifacetada, utilizando o determinismo biológico para justificar a degradação moral dos personagens, conforme a visão cientificista da época, e apresenta a metonímia como figura central na construção do "cortiço" como organismo vivo.
O Fragmento II, representativo da literatura marginal brasileira contemporânea, utiliza a oralidade e a linguagem coloquial como estratégia de mimese da fala popular, mas se restringe a uma abordagem individualista da dor, sem se vincular a pautas de crítica social mais amplas.
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