Português - Instituto Legatus 2015 - MOTORISTA
TEXTO
- Somos gente
Decretaram que pessoas com mais de sessenta anos merecem alguns benefícios. Há mais tempo decretaram que negro era gente.
Há menos tempo que isso decretaram que mulher também era gente, pois podia votar.
Mas voltando aos com mais de sessenta: decretaram coisas que deveriam ser naturais numa sociedade razoável. Não as vejo como benefícios, mas como condições mínimas de dignidade e respeito. Benefício tem jeito de concessão, caridade.
Coisas como não lhes cobrarem mais pelo seguro saúde porque estão mais velhos, na idade em que possivelmente vão de verdade começar a precisar de médico, remédio, hospital, não deveriam ser impostas por decreto.
Decretaram também que depois dos sessenta as pessoas podem andar de graça no ônibus e pagar meia entrada no cinema. Perceberam, pois, que após os sessenta as pessoas ainda se locomovem e se divertem. Pensei que achassem que nessa altura a gente ficasse inexoravelmente meio inválido e... invalidado.
Que sociedade esquisita esta nossa, em que é preciso decretar que em qualquer idade a gente é gente.
Luft, Lya. Pensar é transgredir. São Paulo: Record, 2004, p.132
É correto afirmar que o sentido geral do texto em análise nos remete à ideia de que:
A criação de benefícios de qualquer natureza seria até desnecessária, será preciso, antes de tudo, respeito à dignidade do ser humano.
O governo se equivoca quando cria projetos que auxiliam segmentos sociais como o idoso, o negro e a mulher, o mais correto é dar-lhes mais chances de crescimento e ascensão social.
Ao invés de procurarem soluções distintas para dar atenção às camadas sociais menos favorecidas, poder-se-iam dar cuidado e atenção.
Os decretos soam falsos quando se trata de medidas para beneficiar dignamente as pessoas.
Se houvesse chances de mais inserção social, principalmente em programas sociais, as pessoas poderiam viver mais dignamente.
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