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Português - Instituto Legatus 2024 - Agente de Combate à Endemias (ACE)

Texto

O psicólogo social norte-americano Jonathan Haidt acaba de publicar um livro defendendo que, vejam só, crianças precisam brincar. A revista inglesa The Economist resenhou três livros com a tese de que seres humanos devem, oras, bolas, conversar. A filósofa mexicana Mariana Alessandri explica no podcast "Grey Area" que ficar triste –quem diria?!– faz parte da vida. Vou parar por aqui, poupando-lhes artigos, livros e podcasts com os quais tenho topado versando sobre

platitudes tipo a importância de dormir bem, beber água, movimentar o corpo e ter amigos.

A necessidade de que especialistas repitam o que as nossas bisavós já sabiam, parece, não é culpa deles, mas do pífio estágio atual da humanidade. Crianças não brincam, adultos não interagem, a tristeza deve ser medicada. A responsabilidade por desaprendermos a viver, como mostra Jonathan Haidt com um caminhão de dados, é das redes sociais. (Um resumo do livro tá nessa matéria da revista Atlantic – jogando no Google Translator dá pra ler direitinho).

A geração Z (os nascidos após 1996), primeira leva de humanos que teve smartphone e rede social

desde que se entende por gente, deu ruim. Bem ruim. Nos EUA, os níveis de depressão entre adolescentes cresceram 50% de 2010 pra cá. O de suicídios entre 10 e 14 anos subiu 48%, sendo que entre as meninas – quem mais sofre com as pressões estéticas deste instagramável mundo novo– aumentaram 131%. Dados de vários outros países seguem a tendência.

A geração Z é mais deprimida, ansiosa, tem mais distúrbios alimentares e é mais propensa à automutilação do que qualquer outra que veio antes. Ela tem menos encontros amorosos, faz menos sexo, é mais tímida, menos ambiciosa e mais complicada de lidar no trabalho.

Segundo Haidt, a explicação para essa pindaíba geracional é muito clara: celular substituindo o quintal, rede social no lugar da brincadeira. Em vez de jogarem futebol ou queimada, aprendendo, assim, a competir, cooperar, perder, ganhar, se relacionar com pessoas diferentes de si, estavam no Twitter. Ficam ao mesmo tempo privados dos conflitos normais da infância (que são um treino para as tretas da vida adulta) e ameaçados pelo temor onipresente da exposição nas redes: o cancelamento, a humilhação pública, o cyberbullying.

Eu não sou um hippie antitecnologia. Eu escrevo pra televisão, gosto de videogame, como Big Mac, agradeço aos cientistas por minhas lentes descartáveis e devo meu cabelo à finasterida, mas lutarei com todas as forças para deixarmos crianças e jovens adolescentes longe de smartphones e redes sociais. A luta, contudo, só funciona se for coletiva. Ou todos nós tiramos as crianças dessa arapuca, ou a que ficar de fora será a esquisitona.

Os dados estão aí. Repito um só: desde que as redes sociais apareceram, o número de suicídios entre crianças só fez crescer. "Suicídio" e "crianças" são palavras que não deveriam andar juntas –e nos últimos 3.000 anos de história registrada, até Zuckerberg e seus cúmplices hackearem e colonizarem a infância, não andavam. Se isso não for urgente, o que será?

(Antônio Prata. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2024/04/)

[...] Eu escrevo pra televisão, gosto de videogame, como Big Mac, agradeço aos cientistas por minhas lentes descartáveis e devo meu cabelo à finasterida, mas lutarei com todas as forças para deixarmos crianças e jovens adolescentes longe de smartphones e redes sociais.” O elemento coesivo destacado apresenta um valor contrastivo e, no contexto, o seu

efeito de sentido consiste em um (a)

focalização de circunstâncias negativas explicitadas nas proposições anteriores.

introdução de argumentos mais fortes do que os relacionados anteriormente nas orações.

contribuição para ênfase de eventos que são realizados pelo sujeito anterior.

atenuação das ações realizadas pelos pais das crianças, uma vez que eles podem realizar ações distintas e cuidar dos filhos.

valorização de uma competência positiva atribuída pelo sujeito narrador ao interlocutor.

A alternativa correta é a letra B. Esta questão avalia o conhecimento sobre Português. O gabarito comentado explica cada alternativa com base na legislação vigente e na jurisprudência dos últimos anos.

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