Português - Instituto Legatus 2020 - Agente de Combate à Endemias (ACE)
Texto I
Ouvir o outro lado
Ouvir o outro lado é reconhecer a falibilidade do julgamento humano. É estar ciente de que as convicções incontestadas tendem produzir massacres, quer simbólicos, quer corpóreos. a
Ouvir o outro lado é prevenir-se de coonestar as execuções de Sócrates e de Jesus Cristo. É evitar fazer coro à humilhação de Alfred Dreyfus.
Ouvir o outro lado é prestigiar a utilidade do contraditório para o progresso da civilização. Apenas expostas à crítica as melhores ideias sobressaem, lapidadas, e as piores restam como contraste sem o qual não se pode enxergar nem compreender.
Ouvir o outro lado é combater o tirano que subsiste dentro de nós. O impulso liberticida está pregado no fundo da alma tribal do ser humano. Insidioso e assintomático, requer abalo externo para se revelar.
Ouvir o outro lado é partilhar a sabedoria que vê na luta política um ritual cívico entre polos que se completam. A razão está no choque entre liberais e conservadores, progressistas e tradicionalistas, revolucionários e processualistas. Nunca está com uma parte isoladamente.
Ouvir o outro lado faz parte da ascese para tornar-se um individuo livre. É despojar-se dos laços de parentesco, ideologia, religião, autoridade, coleguismo e amizade em nome de uma compreensão mais equilibrada dos fatos.
Ouvir o outro lado é praticar a democracia. É afirmar, pelo respeito reverencial a quem é atropelado no movimento paquidérmico dos poderosos, que a hierarquia surge da contingência, e não de uma assimetria fundamental entre os cidadãos.
Ouvir o outro lado é buscar a verdade, que nunca será encontrada. Essa marcha de boa-fé rumo ao nada esse ceticismo inseminado de esperança-define uma vida justa, como foi a de Otavio Frias Filho.
(Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciusmota/2018/08/ouvir-o-outro-lado.shtml 17/04/2020) acesso em 17/04/2020)
A expressão “Ouvir o outro lado” é repetida na introdução de todos os parágrafos do texto. Com essa repetição, o autor
mostra em seu texto um "vicio de linguagem" ou marca da oralidade, cujo efeito discursivo e argumentativo, é estilisticamente negativo.
enfatiza a ideia defendida no texto. A cada ocorrência, ele apresenta um novo objeto de discurso, por meio de predicações que expressam sua visão de mundo.
associa elementos presentes no texto a elementos que estão fora dele e, por inferência, o leitor deduz as opiniões apresentadas em cada parágrafo.
comprova a veracidade dos argumentos que apresenta em seu texto e convoca o interlocutor a concordar com a opinião apresentada.
dá instruções ao leitor a fim de que ele siga conselhos que vão mudar sua perspectiva de vida e mudar seu comportamento diário.
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