Português - Instituto Legatus 2022 - Professor de Matemática
Sonhos: quando persistir, quando desistir
Você já deve ter ouvido por aí que “o mais importante não é o destino, mas a viagem”. Essa afirmação é a síntese da filosofia do presente, reclamada pelos filósofos vitalistas. O que importa é a vida hoje, no imediatismo do agora. O que conta é o aprendizado proporcionado pelo caminho. Sim. Parece bom. Mas, e tudo o que aprendemos sobre os sonhos, os projetos, os objetivos a curto, médio e longo prazo? Como encaixar o “buscar a todo custo” e o “nunca desistir dos sonhos”. Ou os “se você ainda não os alcançou — continue — é porque ainda não chegou o fim”, “mantenha-se motivado, faça sacrifícios”. A ideia de que devemos perseguir os sonhos brilha como luzes de néon em nossa mente. O problema é que uma vida com todos esses alertas não é boa, nem saudável.
Como é possível desfrutar de uma viagem com tensão e estresse constantes? Os sonhos podem ter um efeito perverso. Se coloco toda a minha energia neles, que força me sobra para a vida que acontece diante dos meus olhos? O que faço com as minhas emoções, com o meu cansaço? Aqueles que pregam a corrida ao longo do arco-íris e o prêmio do pote de ouro no final, esquecem-se que a vida impõe-se ao sonho. Uma vida consumida em buscas futuras, penaliza o presente. Porém, mesmo com a carga extra — e a suspeita de que alguma coisa não bate certo — tentamos conciliar essa impossibilidade. E seguimos fragilizados, sem bem-estar no presente e sem a felicidade que, afinal, está no futuro. Os sonhos são lindos, mas o bem-estar — e todos os seus acessórios — só pode ser alcançado no presente.
Esse cenário é o principal causador da apatia existencial. Depois de tantas mensagens positivas vem a frustração. Fomos perseverantes, determinados, mas depois constatamos que o sonho não faz mais sentido. E ficamos sem nada. Os amigos tentam nos consolar. Os conselhos são inúteis porque há a crença de que a vida que vale a pena é a vida regida por sonhos e sua busca a qualquer custo. Todos — de seus pais aos gurus — dizem que você deve perseguir objetivos. A vida é essa busca. Lute e, no fim, você será feliz.
O sonho, como sinônimo da vida e origem da felicidade, é tão enraizado que muitos perdem grandes oportunidades na vida, com um único argumento: “Ah! Não quero! Nunca sonhei com isso.” Alguns estão tão formatados no primado do sonho que não aceitam nada que não tenham sonhado primeiro. O inesperado, a sorte, o acaso e os estados de serendipidade são completamente desprezados. É preciso sonhar primeiro. “Você me dá um tempo para eu sonhar com essa proposta e, no ano quem, eu te dou um retorno”.
(Disponível em https://bityli.com/sRQS2. Acesso em 05/12/2022)
O uso dos verbos “manter” (1º parágrafo) e “esquecer” (2º parágrafo) no texto, em sua forma pronominal, revela
adequação à forma analítica da voz passiva.
construção com parte integrante do verbo.
marcação da impessoalidade do discurso.
informalidade correspondente ao gênero discursivo.
ênfase na reciprocidade da linguagem.
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