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 Inteligência artificial não se compara à criatividade humana


Foi Galileu quem disse primeiro, no final do século 16, que todos os corpos caem na Terra com a mesma velocidade, ainda que tenham pesos diferentes. Teria constatado isso ao jogar objetos pesados e leves, ao mesmo tempo, do alto da torre de Pisa. 

A historieta mostra a primazia da pesquisa empírica sobre as especulações metafísicas e, em decorrência, a superioridade do método científico sobre dogmas religiosos? Não. Mas a descoberta de Galileu serve de exemplo para algo de fato decisivo: a criatividade humana.

"Ele não soltou bolas das alturas da torre de Pisa", diz Noam Chomsky em "Os Segredos das Palavras", um livro com seu longo diálogo com o linguista italiano Andrea Moro, publicado pela editora Unesp. O que Galileu fez foram "experimentos mentais muito inteligentes". 

Galileu então generalizou: todas as coisas caem na mesma velocidade, se desconsiderarmos o atrito com o ar, que depende de suas formas —como um objeto de dez quilos de algodão tem uma superfície maior que um de dez quilos de chumbo, o primeiro cairá mais devagar.

É com argumentos como esse, tirados da história da ciência, que Chomsky critica o "entusiasmo e a empolgação com a inteligência artificial", o "exagero e a propaganda sobre o quanto as conquistas são incríveis". 

Ele compara a excitação atual com o fetiche da tecnologia surgido no pós-Guerra nas universidades ianques. A Europa estava devastada, enquanto nos Estados Unidos a guerra propiciara os avanços tecnológicos que fizeram a produção industrial quadruplicar.

Hoje em dia, diz Chomsky, os computadores "falam", mas não esclarecem como nasce e opera o instrumento vital ao pensamento: a linguagem. O que a inteligência artificial faz é simulá-la, enchendo-a com informações que abarrotam bancos de dados. 

O ceticismo de Chomsky ecoa o método de Newton, que concebeu a teoria da gravitação, mas evitou várias perguntas. "Por exemplo: como é o mundo? Qual é a natureza dele? Talvez jamais consigamos compreender essa questão. Newton deixou-a de lado. Até onde sabemos, estava certo."

Contudo, a descoberta de Chomsky foi um avanço e tanto. Andrea Moro a explica assim: "a ligação entre a estrutura da linguagem e o cérebro é tão revolucionária que nos leva a uma surpreendente conclusão, que pode ser expressa de um modo que reverte a perspectiva tradicional de 2.000 anos. Foi a carne que se tornou logos, e não o contrário".

A inteligência artificial ordena o que está contido nos "big data", os zilhões de informações dos supercomputadores. Por reiterarem os discursos dominantes, as formulações feitas pela IA têm um limite evidente: não podem se equiparar à criatividade humana. 


Texto de Mario Sérgio Conti (com adaptações), publicado em 22.dez.2023. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/mariosergioconti/2023/12 


O ceticismo de Chomsky acerca dos avanços da tecnologia e da IA se sustentam na ideia de comparação com Newton sobre 

os computadores têm o mecanismo da fala, mas ainda é obscuro como nasce e se eles operam com o instrumento vital ao pensamento, que é a linguagem. 

não se descobriram por que o computador, por ser tão alimentado, não tem criatividade. 

a descoberta de um projeto para a humanidade passa exatamente em conhecer os seus processos cognitivos. 

as pesquisas entre a criatividade humana e as zilhões de possibilidades dos computadores não avançaram. 

o sistema cognitivo de todo ser humano está na fala, e assim, não se saber ainda, como o computador é capaz de fazer isso. 

A alternativa correta é a letra B. Esta questão avalia o conhecimento sobre Português. O gabarito comentado explica cada alternativa com base na legislação vigente e na jurisprudência dos últimos anos.

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