Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) 2025 - História
Israel costuma ser visto como um dos Estados mais religiosos no mundo. E é mesmo, mais do que possamos imaginar. Aqui, religião e Estado são uma coisa só. Mas, como se isso não bastasse, há um segundo dogma que molda a vida dos israelenses: o da segurança. Esse dogma fundamenta-se na crença de que Israel vive sob uma ameaça perpétua – convicção baseada em uma leitura da realidade, mas que também se alimenta de mitos meticulosamente conservados. Nossos governantes orquestram campanhas de medo. Exageram os perigos reais, inventam outros e reforçam a ideia de que seríamos vítimas de perseguições constantes. E isso desde a criação do Estado de Israel. [...] Nosso Exército está entre os mais poderosos do mundo e dispõe de um arsenal tecnológico sofisticado. Mesmo assim, a crença permanece: Israel estaria lutando por sua “sobrevivência”, mesmo quando enfrenta organizações cujos membros andam praticamente de pés descalços, como o Hamas.
Israel e a religião da segurança. Disponível em https://diplomatique.org.br/israel-e-a-religiao-daseguranca. Acesso em: 13 ago. 2025.
A partir da análise do jornalista e escritor israelense Gideon Levy sobre o contexto no qual a sociedade israelense está inserida é correto afirmar que
a superação dessa lógica se daria mediante acordos de paz abrangentes com todos os vizinhos árabes, os quais, uma vez estabelecidos, eliminariam a necessidade de investimentos em defesa e permitiriam uma maior desmobilização das forças armadas israelenses.
a percepção de uma ameaça permanente fundamenta o processo de militarização social contínua, conferindo ao Estado a legitimidade para instituir o serviço militar obrigatório universal, com duração de 32 meses para homens e 24 meses para mulheres, mantendo-os na condição de reservistas até os 40 e 38 anos, respectivamente.
parte-se do pressuposto de que o Estado de Israel necessita manter uma postura de constante vigilância, em virtude de sua complexa relação com adversários históricos na região como Egito, Síria, Iraque e, mais recentemente, o Irã. Essa conjuntura fundamenta a percepção de que Israel deve assumir características análogas às da antiga Esparta, transformando-se em uma sociedade marcada por forte preparo militar.
na configuração política israelense, a construção discursiva de um inimigo existencial opera como dispositivo legitimador da sustentação de um aparato bélico de elevado custo financeiro, com graves implicações para as contas públicas.
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