Português - FAFIPA 2018 - Agente Administrativo
O Pavão
Rubem Braga
Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.
Rio, novembro, 1958
Extraído de: BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. Editora do Autor: Rio de Janeiro, 1960, p. 149.
Assinale a alternativa que apresenta informações que condizem com o texto:
O autor descobriu que as penas do pavão, na verdade, não são coloridas por pigmentos, mas por bolhas d’água.
Para o autor, o luxo do grande artista é atingir o mínimo de matizes com o mínimo de elementos.
O grande mistério do artista é a complexidade.
O autor compara a sua amada a um pavão.
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