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A ARTE DE COMBATER A SOLIDÃO NA GRANDE CIDADE
Com cada vez mais gente morando sozinha, a cidade vai ter que suprir a possibilidade de encontros. Mauro Calliari
Cada vez mais pessoas moram sozinhas no Brasil. Em pouco mais de dez anos, o percentual de lares unipessoais aumentou de 12% para quase 16%. São 11,8 milhões no país, distribuídas em todas as idades.
Nos Estados Unidos, esse número chega a mais de 30%. Anos atrás, um comunicado do Ministério da Saúde americano alertou para a epidemia de solidão. Morar sozinho não é nem bom, nem ruim, mas, seres gregários que somos, não dá para não constatar que na cidade grande, a "solitude", aquela sensação de estar bem consigo mesmo, pode muitas vezes descambar para a solidão mesmo, aquela sensação de que algo está acontecendo e você ficou de fora.
O assunto é sério, está crescendo e precisa de cidades que ajudem pessoas a se encontrarem. E aqui temos uma contradição: São Paulo oferece milhares de oportunidades de encontros, espaços públicos, cursos, lazer, até de graça. E ao mesmo tempo não facilita que as pessoas cheguem aos lugares e se sintam seguras nos seus deslocamentos.
O encontro virtual e o encontro real
Atualmente, multiplicam-se as possibilidades do que fazemos em casa. A economia de tempo e a conveniência são ótimas, mas o mundo virtual tem limitações. A maior delas é justamente a supressão de oportunidades de surpresas, conversas e encontros imprevistos.
Por mais desprezado que seja, o papo furado, a conversinha fiada, faz parte da vida urbana. Na fila da catraca do metrô, no caixa do supermercado ao encontrar um vizinho, sempre tem espaço para um comentário rápido, uma troca de opiniões que pode dar alguma cor ao dia. [...]
A arquitetura e o urbanismo fazem diferença
Uma pesquisa de 2017, em Vancouver, mostrou algo incrível: quem mora em prédios mais altos do que cinco andares tem mais dificuldade de conhecer vizinhos. Se for assim, é bem possível que a forma pouco inspirada da nossa verticalização — prédios altíssimos, estúdios minúsculos, garagens ostensivas e pouca interação com a rua — esteja jogando contra a vida na rua, que poderia ganhar densidade e vitalidade com mais predinhos baixos no lugar de casas.
Outra modalidade de construção que pode combater a solidão são os cohousings [coabitações]. Começaram na Dinamarca, espalharam-se por outros países e começaram a chegar ao Brasil, com mais de 20 projetos em andamento. Num modelo mais criativo do que o condomínio tradicional, cada pessoa mora em sua casa, mas os projetos preveem uma área comum, que abriga as atividades coletivas. Nas mais de 300 comunidades nos Estados Unidos, o pessoal cozinha junto, planta horta, cuida do jardim.
Olhando para tudo isso, tanto o zoneamento como o Plano Diretor recentemente aprovados têm pouquíssimo a oferecer para a urbanidade paulistana. Todo o esforço parece estar na regulação das edificações, na verticalização pouco criativa e quase nada na criação de espaços públicos e privados que estimulem a convivência na cidade e com a cidade. A solidão também se combate com desenho urbano.
(Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/maurocalliari/2024/04/a-arte-de-combater-a-solidao-na-grandecidade.shtml)
Em relação aos mecanismos de coesão empregados no texto, assinale a alternativa correta.
Em "A maior delas é justamente a supressão de oportunidades de surpresas [...]", no quarto parágrafo, a palavra destacada refere-se ao termo "oportunidades".
Em "Olhando para tudo isso [...]", no último parágrafo, a expressão destacada retoma “mais de 300 comunidades nos Estados Unidos”.
Em "Nos Estados Unidos, esse número chega a mais de 30%.", no segundo parágrafo, a expressão destacada refere-se à “percentual de lares unipessoais”
Em "Se for assim [...]", no sexto parágrafo, o item destacado retoma a expressão "algo incrível'.
Em “[...] cada pessoa mora em sua casa [...]”, no sétimo parágrafo, o termo destacado pode ser substituído por “tua” sem que isso altere a coesão do período.
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