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 RIQUEZA NA ORALIDADE: MIA COUTO CONTA COMO FOI INFLUENCIADO PELA ESCRITA DE GUIMARÃES ROSA

        Escritor moçambicano vem ao Recife para duas palestras na Unicap, já com ingressos esgotados. Entre outros temas, ele comenta sobra a obra prima Grande Sertão: Veredas.

       Um dos maiores escritores da linguae portuguesa da atualidade vem ao Recife falar sobre uma obra prima da literatura universal. A convite da editora Companhia das Letras, o moçambicano Mia Couto vai à Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) para uma palestra sobre sua relação com a obra do escritor mineiro João Guimarães Rosa, autor de Grande Sertão: Veredas.

       A visita faz parte de uma série de eventos que a Companhia das Letras está realizando em várias cidades brasileiras, promovendo o relançamento do clássico publicado pela primeira vez em 1956. Entre outros detalhes que envolvem a nova edição está uma série especial de apenas 63 volumes com desenhos originais de Poty Lazzarotto (que ilustrou primeiras edições da obra) e uma capa feita à mão por bordadeiras de São Paulo e de Minas Gerais, com arte inspirada em Arthur Bispo do Rosário. Cada um desses exemplares custava R$ 1.190, mas já foram todos vendidos. A edição simples, com 560 páginas, sai por R$ 84.90.

       As vagas para a palestra com Mia Couto, que acontecerá na próxima terça-feira (16), estão esgotadas desde o começo desta semana. Foram disponibilizados 470 lugares (270 no auditório G2, onde o escritor vai estar, e 200 no auditório G1, onde será feita um vídeo-transmissão simultânea). Mia Couto falou por e-mail sobre a dimensão de Guimarães Rosa para o universo da literatura, entre outros temas.

        "Grande Sertão: Veredas é um livro e o incomparável, difícil de ser classificado. É uma obra de prima, uma espécie de milagre em que o autor coloca dois personagens em diálogo e, nessa conversa, são dois mundos que se trocam, para muito além de qualquer regionalismo, mas tocando as grandes inquietações da humanidade", aponta Mia Couto, que revela ter conhecido a obra de Rosa através do escritor angolano Luandino Vieira, em meados dos anos 1980. "Luandino influenciou-me, cedendo-me uma espécie de ‘luz verde' para que eu deixasse entrar na escrita a riqueza da oralidade. Quando falei com ele sobre isso, ele sugeriu que eu procurasse o autor inda brasileiro de Grande Sertão Isso aconteceu em 1987. quando estava a escrever o meu segundo livro de contos", relembra.

       Segundo ele, Rosa influenciou sua literatura ao mostrar que "a linguagem não era apenas um instrumento invisível, mas podia constituir um outro personagem". "A poesia era o seu método para instituir o caos. E eu sou da poesia e, no início, pensava que havia fronteiras a respeitar entre prosa e a linguagem poética", aponta.

       Mia Couto confessa que quase não veio ao Brasil, por causa do ciclone Idai, que há exatamente cidade natal, Beira. "Guimarães Rosa me devolveu um mês destroçou Moçambique e, em especial, sua o chão", afirma, acrescentando que veio ao Brasil trazer um abraço solidário de seu país pelas tragédias que vêm afetando Brumadinho e Rio de Janeiro. "Rosa me volta a Mariana, ensinar que aquela minha cidade não era apenas um lugar, era uma entidade viva que me tinha contado histórias. Como o sertão de Rosa, a minha cidade é mais da palavra do que da terra, e os nossos lugares de afeto são sempre mais da linguagem do que da geografia", diz emocionado.

       Na sequência da palestra sobre Grande Sertão: Veredas, Mia Couto fará uma segunda apresentação na Unicap, no dia 17, às 9h, sobre o tema Ser da estéticos, cujas inscrições também já estão Linguagem em seus desdobramentos literários, ético- encerradas. E, à tarde, vai a Vitória de Santo Antão proferir a palestra Que sei eu do que serei, eu que não perspectiva literária, no Teatro Silogeu, às 19h. Ele sei o que sou? - O continente africano numa lusófona, além, lógico, de pedir donativos para as tratará da importância das literaturas africana e vítimas da catástrofe em Moçambique.

(Adaptado de: https://www.folhape.com.br/cultura/riqueza-na- oralidade-miacouto-conta-como-foi-influenciado-pela- escrit/101845/Acesso em: 22/05/2023).

 

As informações presentes no texto permitem concluir CORRETAMENTE que:

Nas obras de Mia Couto, não há espaço para as particularidades da oralidade do povo moçambicano. 

Nas obras de Mia Couto, a oralidade é um traço sempre presente e marcante. 

Nas obras de Mia Couto, há imitação do modo de falar do povo mineiro.

 Nas obras de Mia Couto, há a presença constante de regionalismos característicos de Minas Gerais, terra de Guimarães Rosa.

A alternativa correta é a letra B. Esta questão avalia o conhecimento sobre Português. O gabarito comentado explica cada alternativa com base na legislação vigente e na jurisprudência dos últimos anos.

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