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O QUE É UM 'ELO PERDIDO?

Quando Darwin publicou Origem das Espécies, uma coisa faltou em seu argumento: um "elo perdido". Embora o termo nunca apareça no livro, Darwin sabia que suas afirmações poderiam se beneficiar grandemente da evidência paleontológica de uma transição de espécies – uma espécie intermediária conectando, por exemplo, seres humanos aos macacos. Menos de dois anos após a publicação de Origens, ele teve seu desejo atendido. Em 3 de janeiro de 1863, Charles Darwin recebeu uma carta de seu amigo paleontólogo Hugh Falconer com notícias de uma impressionante descoberta: o Archaeopteryx. Esse fóssil extraordinário - que exibia penas, assim como dentes, garras, uma cauda óssea e outros traços reptilianos era exatamente o tipo de criatura que a teoria de Darwin da evolução por meio da seleção natural previa que deveria ter existido.

As penas não deixaram qualquer dúvida de que o Archeopteryx jurássico era uma ave, mas a criatura também tinha um conjunto de traços saurianos que apontavam para uma ascendência reptiliana.

Falconer mal podia conter sua alegria. "Se os artesãos de Solenhofen tivessem recebido a encomenda - por ordem expressa - para criar um ser estranho ‘a la Darwin"’, seu amigo escreveu, "não poderiam ter executado o pedido de forma mais elegante do que através do Archeopteryx".

Hoje, algumas pessoas ainda se referem ao Archeopteryx como aquele "elo perdido" há muito procurado entre aves e dinossauros. Certamente, ele preenche vários dos requisitos para ser considerado um animal que aparece entre o que se pensava serem duas categorias distintas de organismos. Mas há boas razões para não usar a expressão - algo que o próprio Darwin sabia. Como Nicholas Pyenson, curador de fósseis de mamíferos marinhos do Museu Nacional de História Natural Smithsonian, diz: "A vida é realmente uma árvore, não uma corrente". A evolução "produz um padrão com múltiplos descendentes de uma espécie ancestral existentes ao mesmo tempo e, às vezes, mesmo ao lado dessas espécies ancestrais".

A metáfora que o "elo perdido" implica nos faria buscar linhas retas, quando a realidade da evolução é muito mais divagante. É por isso que os paleontólogos passaram a abominar o termo: ele obscurece o verdadeiro padrão de mudança evolutiva. Paleontólogos normalmente preferem a expressão “forma de transição” ou “forma intermediária”, porque implicam que essas espécies são partes de um contínuo em constante mudança. Isso não é uma mera questão de detalhes semânticos; terminologia molda nossas ideias e a forma como as mudanças dramáticas no curso da vida são interpretadas. Antes (e mesmo depois) de Darwin, os naturalistas, às vezes, encaravam as espécies como parte de uma hierarquia ranqueda em que as formas mais recentes eram de alguma forma melhores do que as que existiam antes. “Palavras descuidadas levam ao pensamento descuidado”, como diz Pyenson. "Em certo sentido, todas as espécies são uma forma de transição de seus ancestrais, porque retém muitas das suas características, mas exibe características únicas, suficientes para serem uma espécie separada", diz Pobiner. E dado que todas as espécies vivas hoje têm fósseis relacionados à sua ascendência, são muitos fósseis de transição. Mais comumente, Pobiner afirma: "os paleontólogos costumam usar este ecológicas maiores que ocorreram durante a história da vida".

Não que "forma de transição" não tenha seus próprios problemas. A frase às vezes pode, inadvertidamente, dar a impressão que um primo evolutivo seria um ancestral direto ao ser traduzido no jargão popular. Mas, pelo menos, destaca que o organismo em questão ajuda a determinar o que os paleontologistas identificaram como uma grande mudança na história da vida. A evolução está constantemente produzindo ramos, e traçar linhas de descendência de – de uma espécie ancestral para seu direto - é quase sempre impossível devido à natureza incompleta do registro fóssil.

(Extraído Switek. https://evolucionismo.org/rodrigovras/o-que-e-um-elo-perdido- adaptado de: Brian traducao/. Acesso em 27/01/2021).


Para reportar o discurso alheio, o autor do texto empregou os seguintes mecanismos: 

Discurso indireto, por meio de sinais gráficos e de partículas introdutórias.

Discurso direto e indireto por meio de sinais gráficos e de partículas introdutórias. 

Discurso direto, por meio de apenas sinais gráficos. 

Discurso indireto livre, por meio de sinais gráficos e de partículas introdutórias. 

A alternativa correta é a letra B. Esta questão avalia o conhecimento sobre Português. O gabarito comentado explica cada alternativa com base na legislação vigente e na jurisprudência dos últimos anos.

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