Português - Instituto Legatus 2023 - Educador Físico
Texto 1 - Ensino a distância e os perigos da expansão mercantil
Em quase todos os lugares, a educação superior se tornou uma instituição central para a sociedade. Numa geração, houve um extraordinário avanço global do nível superior, que ultrapassou a média do crescimento econômico. Os 215 milhões de matrículas do ano de 2015 em graduações em todo o mundo devem ampliar para quase 380 milhões em 2030. Todavia, no contexto da sociedade do conhecimento, a efetiva contribuição com o crescimento econômico e o desenvolvimento social dos países depende da forma como os sistemas estão organizados. Em muitos casos, a expansão gera massificação, mas nem sempre leva à democratização que envolve equidade e qualidade.
Contextos diversos de articulações entre redes de universidades públicas, faculdades privadas mercantis e instituições sem fins de lucro, por meio das modalidades presencial e a distância (EAD), configuram resultados diferentes. Logo, é importante analisar questões relacionadas ao quanto deve ser provido pelo setor público, qual a melhor forma e dimensão do setor privado, bem como sobre qual o tamanho e qualidade da modalidade a distância.
O Brasil, mesmo possuindo baixas taxas de atendimento, teve uma grande expansão na educação superior. De 2000 a 2020, as matrículas triplicaram para quase 9 milhões. Tal crescimento foi sustentado pela privatização do sistema, especialmente por faculdades que trabalham com fins de lucro e cursos na modalidade a distância. Até 1990, inexistiam instituições mercantis; atualmente, em conjunto com as demais privadas, elas possuem aproximadamente 80% das matrículas.
Estudos baseadas em evidências têm indicado que a qualidade da modalidade a distância é inferior à presencial. [...]. Considerando ainda que o perfil dos concluintes da modalidade EAD é de menor nível socioeconômico, constata-se que o processo de expansão da educação superior brasileira está produzindo e reproduzindo as desigualdades existentes na sociedade. A parcela de graduandos a distância que apresenta indicadores socioeconômicos elevados (10%) é bem menor que da modalidade presencial (25%). Países estão restringindo a EAD por evidências de aprendizagem insuficiente, iniquidade e mercantilização. O Brasil, sob pena de altos custos e riscos, como não aproveitar os benefícios da educação superior na sociedade do conhecimento, deve aperfeiçoar a avaliação e regulação de instituições e cursos para que melhor controle a expansão da modalidade a distância e organize melhor o sistema.
Julio Bertolin
(Disponível em https://encurtador.com.br/emrs2, acesso em 23 de dezembro de 2023.)
a comparação entre o ensino em instituições distintas de ensino superior, o autor chega a uma constatação de que
as instituições apresentam projetos diferenciados e por isso não se pode assegurar a aprendizagem dos alunos.
as instituições que visam ao lucro, as faculdades privadas mercantis, apresentam, em grande medida, um programa mais eficiente.
as instituições se assemelham quanto ao ensino a distância, no entanto, há uma baixa celeridade no acompanhamento pelos estudantes.
há uma certa desconfiança quanto ao ensino das instituições sem fins lucrativos nessa modalidade, mas o aprendizado é assegurado.
é necessário que se determinem investimentos do setor público e como o setor privado pode ser dimensionado na sua atuação.
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