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TEXTO

Como as ‘democracias relativizadas’ moldam a desigualdade e a hipocrisia global

Relativizar não é simples, embora seja corriqueiro em um planeta pautado por uma cosmológica hipocrisia. Realmente, como manter as aberrantes diferenças de poder e riqueza entre classes sociais, etnias, países, continentes e hemisférios, sustentando um ideal de justiça e igualdade, senão relativizando? Relativizamos diferenças pessoais quando repetimos que “gosto não se discute”. Mas temos imensas dificuldade para simpatizar com costumes ou pessoas que não se harmonizam com valores que nos constituem e fabricam. Receitas ou imperativos constitucionais que definem o que somos ou julgamos ser são difíceis de relativizar.

No caso brasileiro, a escravidão permeia nossa dificuldade de relativizar a cor da pele e o trabalho. Trabalhar não seria coisa para “senhores” em um sistema no qual quem trabalhava usando o corpo - realizando ofícios manuais, dizia a antiga legislação

luso-nacional - era um grupo inferior, cujo paradigma até hoje é o negro. No plano político, olhares compreensivos são ainda mais raros porque envolvem governos e opositores que devem ser neutralizados ou eliminados. Na nossa América Latina, oposição e

governo em geral têm como objetivo uma recíproca destruição, jamais a construção de um país. O problema mais agudo é a relatividade das leis e dos tribunais, que anistiam hoje o corrupto de outro dia, tornando todas as regras manipuláveis - logo, relativas a quem comanda a máquina pública.

Questões como o tempo no qual uma população terá o direito de desfrutar liberdade com igualdade podem ser golpeadas com crueldade, como exige a ditadura bolivariana na Venezuela. No Brasil, as elites sempre foram arrebatadas pela liberdade que permitia criticar e trocar de lado no poder, enquanto a igualdade era, e ainda é, um valor fácil de prometer, mas ofensivo ou até mesmo impossível de praticar. Pois a igualdade submete quem não se relativiza perante a lei. Os “mandões”, para quem tudo vale - menos a igualdade perante a lei. Essa dimensão irredutível da democracia. Quem gosta das exclusões abomina o igualitarismo universalista e assim parteja “democracias relativas”. Democracias nas quais o povo obedece à lei

- e o mandão é o seu dono.

Roberto DaMatta. Disponível em: https://www.estadao.com.br

/cultura/roberto-damatta/como-as-democracias-relativizadas-

moldam-a-desigualdade-e-a-hipocrisia-global/ acesso em 07

de agosto de 2024.

Conforme a leitura global do texto, as democracias são

“relativizadas” porque

o povos sempre obedece às leis sem que reclamem os seus direitos.

os governos consideram a submissão como uma superioridade de poder.

a participação da sociedade em geral é sufocada pelo arcabouço arcaico da lei.

as receitas ou imperativos constitucionais são moldados para manter elites no poder.

o conjunto de leis é executado a rigor apenas para as pessoas das camadas inferiores.

A alternativa correta é a letra B. Esta questão avalia o conhecimento sobre Português. O gabarito comentado explica cada alternativa com base na legislação vigente e na jurisprudência dos últimos anos.

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