Português - CONSULPAM 2025 - Técnico em Enfermagem
TEXTO
CÉREBRO SARADO: OS EFEITOS DO EXERCÍCIO FÍSICO NA SAÚDE CEREBRAL
"Malhar o cérebro" vai além de apenas realizar ações que enriquecem o intelecto. Fazer atividades físicas pode oferecer inúmeros benefícios para a mente. Isso vale não apenas para exercícios realizados na academia, parques e praias, mas até mesmo em aulas práticas on-line. Segundo a Dra. Andrea Deslandes, professora do Instituto de Psiquiatria e do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), essas ferramentas que demandam a execução de uma maior movimentos em conjunto com necessidade de raciocínio, ou seja, que exigem uma dupla tarefa, têm se mostrado especialmente boas para o funcionamento cerebral. Mas outros exercícios também são benéficos para o cérebro. É o caso de atividades aeróbicas que envolvem movimentos cíclicos e repetitivos, como caminhada, corrida e andar bicicleta, e atividades ao ar livre, práticas aquáticas e até treinamento de força. Cérebro e exercício estão associados. A atividade física faz os músculos se contraírem diversas vezes. Estudos indicam que essas contrações estimulam a produção de substâncias importantes para a saúde. "De alguma forma, o músculo produz substâncias chamadas de miocinas, que são citocinas, ou seja, proteínas excretadas por células. Elas favorecerão o funcionamento do cérebro, por exemplo, criando novos circuitos (neuroplasticidade) e novos vasos sanguíneos cerebrais", explica a profissional. Entre as
miocinas, há aquelas que estão associadas à formação de novos neurônios, que são as células que compõem o
cérebro. Eles são formados principalmente no hipocampo, área cerebral que está associada a diferentes funções, entre elas, a memória e os sentimentos. Outra miocina produzida durante a prática de exercício físico é a irisina. Estudos em
animais revelam que a irisina melhora a comunicação entre os neurônios, protege o cérebro contra a perda da
capacidade de armazenar informações e também parece ajudar a restaurar a memória perdida. Ademais, o exercício físico atua ainda na modulação de neurotransmissores, substâncias que atuam como
mensageiros químicos produzidos por neurônios.
"Neurotransmissores como dopamina, noradrenalina e
serotonina, que são aumentados durante o exercício físico, regulam sono, apetite, prazer, humor, o que pode justificar como a atividade física também é capaz de aumentar a motivação e a atenção", explicou a Dra. Andrea, que é graduada em educação física, mestre e doutora em saúde mental. Os efeitos do exercício se estendem também às estruturas cerebrais. A Dra. Andrea explicou que, além do hipocampo, há impactos positivos no corpo estriado, importante área do circuito motor, e no córtex pré-frontal, região que está relacionada ao humor, ao afeto e também às funções executivas. "Entre as funções executivas, estão o controle inibitório, a memória operacional e a flexibilidade cognitiva, habilidades muito importantes para o convívio em sociedade. O exercício físico vai modular essa área e também vai beneficiar essas funções", explicou a professora. Além disso, o córtex pré-frontal é uma das primeiras regiões a sofrer perda neuronal com o envelhecimento, mas o exercício consegue reduzir a velocidade desse declínio.
Segundo a médica, exercício físico, principalmente de
intensidade moderada, melhora o desempenho, por
exemplo, das funções cognitivas, ou seja, percepção,
atenção, memória, linguagem, funções executivas e
aprendizagem. Melhora ainda o humor, reduz a ansiedade e possui um papel protetor com relação aos transtornos mentais e ao declínio cognitivo. "Ele também pode servir como uma terapia adicional no tratamento de transtornos mentais, sendo que atualmente os estudos mostram a maior evidência na prevenção e no tratamento dos transtornos depressivos", destacou, lembrando que a literatura - também tem apontado beneficio no tratamento de demências, como Alzheimer, nos transtornos de ansiedade, no transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e no transtorno do espectro autista (TEA). Os benefícios da combinação cérebro e exercício atingem desde crianças até idosos. "Essa é uma questão que precisa ser trabalhada na sociedade desde a infância, desde a escola para que as atividades sejam inclusivas, prazerosas", destacou a Dra. Andrea.
Disponível em <https://www.invivo.fiocruz.br/saude/cerebro- e-
exercicio/>. Adaptado. Acesso em: 24 de out. de 2025.
Segundo o texto, a "dupla tarefa" mencionada no primeiro parágrafo, é caracterizada por:
Realizar atividades físicas em grupo para melhorar o
humor.
Combinar movimentos físicos com maior necessidade de
raciocínio.
Realizar exercícios em diferentes ambientes, como
academias e praias.
Combinar atividades aeróbicas e de força no mesmo
treino.
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