Português - Fundação CETREDE 2023 - Guarda Patrimonial/Vigia/Vigilante
O socorro
Millôr Fernandes
Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão – coveiro– era cavar. Mas, __________, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que sozinho não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouviu um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é
que vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia: O que é que há? O coveiro então gritou, desesperado: – Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível! – Mas, coitado! – condoeu-se o bêbado – Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho! E, pegando a pá, encheu-a e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.
Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem aquem se apela.
Está INCORRETA a afirmação da alternativa
A profissão do coveiro, era cavar.
De acordo com a ortografia, a palavra que preenche corretamente a lacuna é de repente.
Ao cair na cova, o coveiro ficou sem reação, apavorou-se e não foi capaz de pedir ajuda.
De acordo com o texto, o coveiro era uma pessoa que prestava muita atenção no que fazia.
O bêbado, pensando tratar-se de um morto desenterrado, fica com pena e o cobre de terra.
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