Português - CONSULPAM 2025 - Professor de Letras
TEXTO I
― Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio. Coitado, morrera na areia do rio, onde haviam descansado, à beira de uma poça: a fome apertara demais os retirantes e por ali não existia sinal de comida. Baleia jantara os pés, a cabeça, os ossos do amigo, e não guardava lembrança disto. Agora, enquanto parava, dirigia as pupilas brilhantes aos objetos familiares, estranhava não ver sobre o baú de folha a gaiola pequena onde a ave se equilibrava mal. Fabiano também às vezes sentia falta dela, mas logo a recordação chegava. Tinha andado a procurar raízes, à toa: o resto da farinha acabara, não se ouvia um berro de rês perdida na caatinga.
Fonte: RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1953.
Em atividades de leitura oral ou ditado baseadas na leitura da palavra "poça”, é possível que alguns falantes interpretem equivocadamente a palavra “poça” como “possa”.
Assinale CORRETAMENTE como pode ser explicada essa ambiguidade.
Trata-se da neutralização entre [o] e [ɔ] em posição tônica, típica de variedades do português brasileiro em que não se realiza a distinção entre vogais médias orais posteriores, resultando em homofonia entre “poça” e “possa”.
Trata-se de assimilação regressiva, em que a nasalidade do contexto posterior interfere na tonicidade da vogal, provocando o fechamento vocálico.
Trata-se da neutralização entre /s/ e /ʃ/, observada em variedades do português em que a fricativa alveolar é palatalizada, gerando ambiguidade entre verbos e substantivos.
Trata-se de hipercorreção lexical induzida por contato entre português oral e registro escrito, comum em comunidades bilíngues ou em situação de diglossia.
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