Português - Instituto Legatus 2016 - Orientador Social
Texto
Desejo de saber
Aprender nos transforma. Uma criança que descobre a “magia” de juntar letras e, por meio dessa junção, inclui em seu universo palavras e seus significados, apropriando-se de informações que servem de base a outras mais sofisticadas, enriquece a própria subjetividade. Um engenheiro que define, por meio de cálculos, o peso e a pressão que determinada superfície suporta é capaz de construir cidades. Há, porém, aprendizados menos óbvios, mais sutis. Alguns deles se consolidam permeados por reflexões e vivências, modificam perspectivas, nos permitindo olhar outras
coisas – ou, talvez, as mesmas, mas sob novas perspectivas. Há nesse movimento, porém, um aparente paradoxo:
quanto mais sabemos sobre nós mesmos e a respeito do mundo que nos cerca, mais nos damos conta do quanto falta nos apropriarmos. Tanto do ponto de vista do indivíduo quanto do coletivo, a aprendizagem pode ser entendida como a mudança de comportamento decorrente da experiência obtida pela intervenção de fatores neurológicos, relacionais e ambientais. Seguindo esse raciocínio, o aprender seria definido como resultado da interação entre as
estruturas mentais e o meio. É, portanto, algo vivo – e, assim como nosso cérebro, em constante mudança. Em várias partes do mundo, cientistas têm se empenhado em compreender os mecanismos que concorrem para esse processo, o que o acelera e facilita ou o dificulta. E já que o assunto é aprendizagem, a verdade é que sabemos pouco a esse respeito – ou, pelo menos, não tanto quanto gostaríamos. Pior: apesar de os professores serem grandes interessados no tema, infelizmente não é nada raro que não tenham acesso a descobertas que poderiam facilitar muito seu
trabalho – e também a vida dos estudantes (e não apenas de escolas convencionais ou de universidades, mas de qualquer área, inclusive a técnica). Embora seja impossível deixar de lado as dificuldades práticas entre educadores e cientistas, certamente há interesse na proximidade entre quem ensina e quem estuda sobre como ensinar de modo mais eficiente. E parece inegável que conhecimentos sobre os mecanismos psicológicos e cerebrais interessem à
ciência, bem como a prática do ensino diga respeito direto à ciência. Precisamos de troca – de conteúdo, experiência, teoria e prática. Mas, antes de tudo, é indispensável que haja desejo de saber. E isso, felizmente, também se aprende.
Autora: Gláucia Leal. Texto coletado da Revista Mente e Cérebro – março de 2016 (versão online) Disponível em http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/desejo_de_saber.html - acesso 21 de abril de 2016.
Fazendo-se uma análise global do gênero em análise, NÃO se pode inferir que:
O conhecimento vem acompanhado de reflexões e por capacidade de ampliação a outros contextos.
O desejo de aprender e de se adquirir conhecimentos deve ser incentivado pelos professores e cientistas, numa relação dialógica.
Há vias para se ensinar a aprender, desde que os mecanismos e conhecimentos científicos sejam bem articulados.
É importante conhecer os mecanismos psicológicos e cerebrais para melhor ensinar.
Perdem-se oportunidades de ampliar conhecimentos quando não há uma inter- relação entre teoria e prática.
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