Português - Instituto Legatus 2025 - Guarda Patrimonial/Vigia/Vigilante
TEXTO
Outro de Elevador
"Ascende" dizia o ascensorista. Depois: "Eleva-se". "Para cima". "Para o alto". "Escalando". Quando perguntavam "Sobe ou desce?" respondia "A primeira alternativa". Depois dizia "Descende", "Ruma para baixo", "Cai controladamente", "A segunda alternativa"... "Gosto de improvisar", justificava-se. Mas como toda arte tende para o excesso, chegou ao preciosismo. Quando perguntavam "Sobe?" respondia "É o que veremos..." ou então "Como a Virgem Maria". Desce? "Dei" Nem todo o mundo compreendia, mas alguns o instigavam. Quando comentavam que devia ser uma chatice trabalhar em elevador ele não respondia "tem seus altos e baixos", como esperavam, respondia, criticamente, que era melhor do que trabalhar em escada, ou que não se importava embora o seu sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que andasse para os lados... E quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que têm música ambiental, disse: "Era só me pedirem - eu também canto!"
(Luís Fernando Veríssimo)
As frases: "Era só me pedirem ― eu também canto!", ditas pelo personagem, mostram, principalmente,
incapacidade de compreender a sua própria demissão.
crítica irônica à automação dos serviços e pouca comunicação com o trabalhador.
frustração impessoal diante da rápida perda de profissionalização.
submissão indignada referente às mudanças sociais tecnológicas.
ansiedade de retornar ao antigo emprego para poder matar a vontade de cantar.
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