Português - UPA 2024 - Agente Comunitário de Saúde (ACS)
Leia o texto para responder a questão:
TEXTO 1
Paixão nunca será amor: são planetas diferentes
Temos uma necessidade de hierarquia. Na vida amorosa: namoro, noivado, casamento. Na vida profissional: estágio, emprego, chefia. Acreditamos nos degraus de uma escada para todos os passos de nossa trajetória. Apostamos em promoções, em crescimento, em escalada. Nem sempre é assim com sentimentos. Talvez você jure que deve se apaixonar e depois, gradativamente, amar. É um lugar-comum de nossas crenças. Eu mesmo já confiei muito na ordem inalterável dos fatores: primeiro se apaixonar e depois amar. Um depois do outro. Como etapas cronometradas para dividir o teto e os sonhos. Só que não. Descobri que você dificilmente vai amar aquela pessoa por quem se apaixona. A paixão é uma emoção autônoma, não se transforma. Casais apaixonados se separam logo após se casarem. Porque estão acostumados ao desafio, ao flerte perigoso, à exclusividade, à aventura. Não conseguem dividir o parceiro com a família, com os amigos, com responsabilidades. Desejam prolongar uma aventura e não suportam a estabilidade.
A paixão não tem como se converter no seu oposto, o amor, que é tranquilidade, altruísmo, divisão de encargos, serenidade. É impossível. Fingimos, por uma aparência pública, que nos apaixonamos por quem amamos. Porém, sempre amamos quem amamos. Não há transição, transferência, migração de memória. O amor não surge do caos da dependência, mas da quietude da amizade, das confidências, das conversas inesquecíveis, do entendimento dos traumas, da proteção mútua das fragilidades, do respeito ao espaço individual e da admiração por uma identidade distinta. O amor escolhe quem se mostra habilitado a cuidar de você. O amor é uma construção, a paixão é um acaso. No amor, você sabe o que está fazendo. Na paixão, você não sabe o que está fazendo. Paixão não desemboca no amor. O amor é um caminho que você faz pouco a pouco, de mãos dadas, entre provações e desafios. Sem a angústia da pressa. Sem o risco de sacrificar a si próprio. Sem a ansiedade do ciúme. Com uma saudade consentida, consolidada e recíproca. Você mais é quando ama. Você menos é quando se apaixona.
Fabrício Carpinejar
Fonte: https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/8/23/paixao-nunca-sera-amor--sao-planeta
s-diferente
O tipo textual predominante no texto "Paixão nunca será amor: são planetas diferentes" de Fabrício Carpinejar é:
Dissertativo-argumentativo.
Expositivo-descritivo.
Descritivo-injuntivo.
Narrativo-descritivo.
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