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Português - Instituto Legatus 2023 - Digitador

TEXTO

Entre todas as palavras do momento, a mais flamejante talvez seja desigualdade. E nem é uma boa palavra, incomoda. Começa com des. Des de desalento, des de desespero, des de desesperança. Des, definitivamente, não é um bom prefixo.

Desigualdade. A palavra do ano, talvez da década, não importa em que dicionário esteja. Doravante ouviremos falar muito nela.

De-si-gual-da-de. Há quem não veja nem soletre, mas está escrita no destino de todos os busões da cidade, sentido centro/subúrbio, na linha reta de um trem. Solano Trindade¹, no sinal fechado, fez seu primeiro rap, “tem gente com fome, tem gente com fome, tem gente com fome”, somente com esses substantivos. Você ainda não conhece o Solano? Corra, dá tempo. Dá tempo para você entender que vivemos essa desigualdade. Pegue um busão da Avenida Paulista para a Cidade Tiradentes, passe o vale transporte na catraca e simbora – mais de

30 quilômetros. O patrão jardinesco² vive 23 anos a mais, em média, do que um humaníssimo habitante da Cidade

Tiradentes, por todas as razões sociais que a gente bem conhece.

Evitei as estatísticas nessa crônica. Podia matar de desesperança os leitores, os números rendem manchete, mas carecem de rostos humanos. Pega a visão, imprensa, só há uma possibilidade de fazer a grande cobertura: mire-se na desigualdade, talvez não haja mais jeito de achar que os pontos da bolsa de valores signifiquem a ideia de fazer um país.

(Disponível em: https://www.aio.com.br/questions/content/entre- todas-as-palavras-do-momento-a-mais-flamejante-talvez-seja. Acesso em 03.7.2023.) 1 Poeta brasileiro, folclorista, pintor, ator, teatrólogo, cineasta e militante do Movimento Negro e do Partido Comunista. 2 Referência aos moradores do Jardim Paulista, um bairro nobre da Zona Oeste do município de São Paulo.

Há uma crítica implícita no trecho "talvez não haja mais jeito de achar que os pontos da bolsa de valores significam a ideia de fazer um país", que é a respeito da

valorização excessiva da bolsa de valores pelo povo que não entende sequer os números que veem.

falta de significado dos pontos da bolsa de valores para população mais pobre.

falta de interesse das pessoas pelos projetos sociais, mas muito interesse na bolsa de valores.

incompatibilidade entre os números da bolsa de valores e o reflexo social de um país.

reconhecimento da bolsa de valores como arma contra a desigualdade social no país.

A alternativa correta é a letra B. Esta questão avalia o conhecimento sobre Português. O gabarito comentado explica cada alternativa com base na legislação vigente e na jurisprudência dos últimos anos.

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