Português - Instituto Legatus 2020 - Agente Administrativo
Texto I
Afinal, o que é a língua?
A língua é uma das realidades mais fantásticas da nossa vida. Ela está presente em todas as nossas atividades; nós vivemos entrelaçados (às vezes soterrados!) pelas palavras; elas estabelecem todas as nossas relações e nossos limites, dizem ou tentam dizer quem somos, quem são os outros, onde estamos, o que vamos fazer, o que fizemos. Nossos sonhos são povoados de palavras; os outros se definem por palavras; todas as nossas emoções e sentimentos se revestem de palavras. O mundo inteiro
é um magnífico e gigantesco bate-papo, dos chefes de Estado negociando a paz e a guerra às primeiras sílabas de uma criança em alguma favela brasileira ou numa vila africana. É pela linguagem, afinal, que somos indivíduos únicos: somos o que somos depois de um processo de conquista da nossa palavra,
afirmada no meio de milhares de outras palavras e com elas compostas.
Apesar dessa presença absoluta na nossa vida (ou talvez justamente por isso), ainda sabemos pouco sobre a linguagem e, em geral, temos uma relação problemática com ela, principalmente em sua forma escrita. Isto é, embora não sejamos nada sem a língua, parece que ela permanece alguma coisa
estranha em nossa vida, como se ela não nos pertencesse.
(FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Prática de texto para estudantes universitários. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. p. 9.)
Compare os enunciados abaixo, depois assinale a alternativa que contempla a análise correta acerca deles.
I. O mundo inteiro é um magnífico e gigantesco bate-papo.
II. Todo mundo é um magnífico e gigantesco bate-papo.
III. Todo o mundo é um magnífico e gigantesco bate-papo.
IV. O mundo todo é um magnífico e gigantesco bate-papo.
A palavra “todo” nas frases III e IV tem o mesmo valor semântico de “inteiro” na frase I, portanto, nessas frases, ela é, morfologicamente, um adjetivo.
Nas frases II e III, a palavra “todo” equivale a “qualquer”, portanto é, morfologicamente, um pronome indefinido e forma um par semântico com a palavra “todo” da frase IV.
Apenas o conjunto de palavras que constitui o sujeito da frase I (O mundo inteiro /Todo mundo) tem sentido diferente do conjunto que constitui o sujeito dos demais enunciados (frases II, III e IV).
As palavras que constituem o sujeito das frases I e II formam um par semântico, nesse contexto, e as que formam o sujeito das frases III e IV formam outro par semântico entre si.
As frases II, III e IV são reescrituras da frase I que não alteram seu sentido nem provocam prejuízo gramatical ao enunciado, uma vez que “todo” e “inteiro” têm o mesmo sentido nesse contexto.
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