Português - Instituto Legatus 2025 - Guarda Patrimonial/Vigia/Vigilante
Leia este trecho da crônica Felicidade da escritora Rachel de Queiroz e, a partir dele e dos seus conhecimentos prévios, responda à questão.
Outro dia, falando na vida do caboclo nordestino, eu disse aqui que ele não era infeliz. Ou não se sente infeliz, o que dá no mesmo. Mas é preciso compreender quanto varia o conceito de "felicidade" entre o homem urbano e essa variedade de brasileiro rural. Para o homem da cidade, ser feliz se traduz em "ter coisas". Ter apartamento, rádio, geladeira, televisão, bicicleta, automóvel. Quanto mais engenhocas mecânicas possuir, mais feliz se presume. Para isso se escraviza, trabalha dia e noite, e se gaba de feliz. O homem daqui, seu conceito de felicidade é muito mais subjetivo: ser feliz não é ter coisas; ser feliz é ser livre, não precisar de trabalhar. E, mormente, não trabalhar obrigado. Trabalhar à vontade do corpo, quando há necessidade inadiável. Tipicamente, os três dias de jornal por semana que o morador deve à fazenda, segundo o costume, são chamados "a sujeição". E o melhor patrão do mundo não é o que paga mais, é o que não exige sujeição.
E a situação de "meeiro" é ideal, não porque permita um maior desafogo econômico - o que nem sempre acontece, mas sim porque "meeiro" não é "sujeito". Pode haver afluência de dinheiro; há anos em que o legume se colhe em quantidade, em que o algodão dá muito. Mas nunca ocorreria, a eles, usar da abundância para a compra de muitos objetos domésticos - mesas, cadeiras, camas, relógio de parede. Uma dona de casa
mais ambiciosa pode aspirar a uma máquina de costura. Raramente a consegue. E hoje está se generalizando o uso da máquina de moer - mas porque dispensa o trabalho do pilão, muito mais penoso.
Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/8652
/felicidade, acesso em 27 de maio de 2025.
O texto apresenta a ideia sobre felicidade e ressalta, principalmente, a ideia de que
a felicidade do caboclo é estar sempre sem um trabalho informal.
o povo nordestino é muito acomodado por isso prefere ser meeiro.
a felicidade não é um estado universal, mas uma construção de uma vida com leveza.
as pessoas não querem ser submetidas a uma jornada de 40 h de trabalho todos os dias.
a ganância e a vontade de acumular bens materiais impede o homem da cidade de ser feliz.
Crie uma conta grátis para ver o gabarito comentado
10 questões gratuitas por diaResponder Questão e Ver Comentários →