Conhecimentos Específicos: Letras - CONSULPAM 2025 - Professor de Letras
FURTO DE FLOR
Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor.
Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.
Passei-a para o vaso, e notei que ela me delicada melhor sua agradecia, revelando composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.
Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia.
Temi por sua vida. Não adiantava restitui-la ao jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.
Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:
- Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!
Referência: Carlos Drummond de Andrade, "Furto de flor", Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.
Considerando a organização sintática de determinados períodos do texto, assinale a alternativa CORRETA quanto à análise.
"Furtei uma flor daquele jardim" é um período simples, tal como, "eu a via morrer".
"Logo senti" é uma oração principal, à qual se associa a uma oração subordinada objetiva direta, "que ela não estava feliz". A mesma organização sintática pode ser observada em "notei que ela me agradecia".
Em "Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem", nota-se um período composto por coordenação, cuja conjunção, se estabelece o sentido de concessão.
Em "eu assumira a obrigação de conserva-la", observa-se a associação de duas orações coordenadas assindéticas.
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